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Código do Animal de Companhia:O projeto vem ainda complicar mais o atual estado crítico da profissão

Código do Animal de Companhia:O projeto vem ainda complicar mais o atual estado crítico da profissão

Jorge Cid, presidente da APMVEAC, classificou de “controverso” o projeto de Código do Animal de Companhia que o Ministério da Agricultura apresentou aos parceiros sociais. Ao todo são 94 páginas onde se prevê que as famílias não possam ter mais de dois cães ou quatro gatos em casa, e que prevê a eutanásia de animais que cheguem aos canis municipais com doenças de algum modo transmissíveis ao ser humano, como a sarna.

“Este é um Projeto muito controverso, com alguns aspetos positivos e negativos, e algo absurdo”, declarou à Veterinária Atual Jorge Cid. O presidente da APMVEAC destaca a filosofia de contrariar o abandono de animais, bem como a obrigatoriedade de identificação eletrónica para cães e gatos como aspetos positivos, mas os aspetos negativos são de tal forma graves que fazem com que Jorge Cid afirme: “estaremos frontalmente contra a implementação do Projeto como ele está, de maneira pouco sensata, e que vem burocratizar muito daquilo que já estava em vigor. Parece-me absurdo a necessidade de um Projeto desta envergadura, com 94 páginas”.

O presidente da APMVEAC garante que a associação não foi consultada para a elaboração do documento, “pelo menos desde a minha presidência”, e mostra-se principalmente contra dois artigos: a identificação eletrónica obrigatória, “que defendemos que deve ser feita apenas pelo médico veterinário, e a obrigatoriedade do número de animais por apartamento, neste caso dois cães e quatro gatos. Parece-me absurda esta obrigatoriedade, é contra tudo o que defendemos e é não compreender a função do animal de companhia na sociedade”. E acrescenta: “enquanto esta mentalidade não mudar dificilmente poderão produzir um documento que tenha cabeça, tronco e membros. Não é um ataque pessoal, porque não conheço pessoa que produziu o documento”.

 

Quanto ao futuro do exercício da medicina veterinária, Jorge Cid é da opinião que este projeto vem “complicar ainda mais o atual estado crítico da profissão, pois fazendo tantas restrições à detenção e posse de animais de companhia, isso irá traduzir-se no futuro em menos animais nas consultas médico-veterinárias. Vamos tentar sensibilizar toda a classe e todas as pessoas que não concordam com este diploma para que o Projeto não vá por diante”.

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