Cientista portuguesa revela que pirilampo é capaz de iluminar lesões genéticas

Uma cientista portuguesa descobriu que a introdução de um gene de pirilampo num verme permite usar a luminescência adquirida por este organismo para detectar alterações genéticas. Agora, a cientista procura apoios financeiras para desenvolver mais aprofundadamente a investigação que desenvolveu na Escócia.

«O que eu fiz foi colocar o gene de um pirilampo americano num organismo modelo da biologia, o nemátode Caenorhabditis elegans, que assim se tornou capaz de utilizar um substrato, a luciferina, para emitir luz à custa das suas reservas de energia», explicou Cristina Lagido à “Lusa”, citada pelo “Diário de Noticias”.
«Medindo a luz emitida com um instrumento chamado luminómetro é possível ter uma ideia das reservas energéticas do organismo», acrescentou.
Além disso, o estudo, publicado na revista “BMC Physiology” e divulgado pelo “Alphagalileo”, mostrou também que é possível utilizar a luminescência para detectar o efeito de determinadas lesões genéticas.
Ao trabalhar em colaboração com colegas da Universidade de Aberdeen, na Escócia, Cristina Lagido, utilizou a técnica de inactivação selectiva de genes conhecida por ARN de interferência (ARNi), descoberta por Andrew Z. Fire e Craig C. Mello, e que lhes mereceu o Prémio Nobel da Medicina de 2006.
«Com esta técnica silenciei genes que são importantes para a respiração celular e, como seria de esperar, obtive uma redução drástica dos níveis de luz», elucidou.
De acordo com a cientista portuguesa, uma das principais linhas de investigação foi a utilização do nemátode como biossensor de poluição ambiental, por esse nível diminuir quando o animal é exposto a poluentes.
Outra linha de investigação que propôs, e para a qual a equipa procura obter financiamento, é a aplicação deste biossensor em estudos de genética, para averiguar quais os genes do nemátode que desempenham um papel em termos de tolerância ao stress ambiental.
«Se o nível de luz aumentar, isso significa que os nemátodes se tornaram mais resistentes. Se diminuir, tornaram-se mais sensíveis», disse.
Por conseguinte, para Cristina, a utilização da luminescência como indicador de saúde permite acelerar a rapidez das medições quando comparadas com a observação microscópica.
O Caenorhabditis elegans foi o primeiro animal a ter o seu genoma sequenciado, sendo por isso considerado um excelente modelo para a investigação genética com relevância para os seres humanos.