Investigação

“Curta” sobre investigação arqueológica do cão de Muge premiada em Espanha

A curta-metragem de animação O Cão de Muge – Um Amigo Pré-Histórico foi distinguida com o primeiro prémio da categoria “Materiais Didáticos de Ciência e Trabalhos de Divulgação Científica”, no concurso Ciencia en Acción 2020.

Segundo a agência Lusa, o filme recebeu a distinção em igualdade com produções de investigadores do Planetário e da Universidade Ramon Llull, de Barcelona, e do Instituto de Geociências de Madrid.

A curta-metragem conta a história de um cão (que se crê domesticado) que existiu há cerca de 7 600 anos, cujo esqueleto é o mais antigo “quase completo” encontrado na Península Ibérica. A descoberta arqueológica foi feita no final do século XIX, em 1880, em Muge, no concelho de Salvaterra de Magos.

O cão estava depositado em concheiros, o que permitiu uma preservação do esqueleto e dentes. Aquando da descoberta, por não haver grande interesse ainda nos animais, o esqueleto do cão foi levado para o Museu Geológico em Lisboa, onde permaneceu numa gaveta durante mais de 100 anos.

Apenas em 2010, os restos do cão foram recuperados e a descoberta foi alvo de um estudo detalhado (tomografia computadorizada, datação por radiocarbono, análise de isótopos, de genómica e de imagiologia), tendo sido apresentados resultados biométricos e de contexto arqueológico.

O filme (abaixo) é uma história de zooarqueologia, com o objetivo de divulgação científica, tendo sido preparado no âmbito do projeto WOOF – “No encalce das origens e evolução do cão na Ibéria e no Magrebe”.

A animação O Cão de Muge – Um Amigo Pré-Histórico foi realizada em colaboração com os investigadores Cleia Detry, Ana Elisabete Pires, Catarina Ginja, Inês Carrilho, Maria Vieira, Joana Manarte e Ricardo Matos.

De acordo com o site da Direção-Geral do Património Cultural, envolvida no projeto através do Laboratório de Arqueociências, a investigação conta ainda com o Museu Geológico de Lisboa, o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, da Rede de Investigação em Biodiversidade e Biologia Evolutiva da Universidade do Porto, o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, a Faculdade de Medicina Veterinária, e a Escola de Comunicação, Arquitetura, Artes e Tecnologias de Informação da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.

O concurso internacional é promovido pelo Conselho Superior de Investigações Científicas e pelas Reais Sociedades de Física, Química, Astronomia e Geologia de Espanha.