Virologia

Investigadores descobrem mutações nas vacinas contra o vírus da bronquite infeciosa das galinhas

Cientistas do Instituto Pirbright, no Reino Unido, descobriram que as vacinas para o vírus da bronquite infeciosa das galinhas produzidas em ovos sofrem mutações imprevistas que podem ser suscetíveis a reversões do vírus.

O vírus da bronquite infeciosa das galinhas é um patogénico aviário que afeta o trato respiratório, intestino, rins e sistema reprodutor dos animais.

O vírus atenuado da vacina é gerado a partir da infeção de ovos, através de um processo de crescimento e posterior remoção do vírus, ao qual se segue a infeção de um novo lote de ovos. A sucessão contínua destes procedimentos – conhecida como passagem em série – vai criar uma versão mais fraca do vírus.

Contudo, pouco se sabe sobre o modo como este processo de atenuação afeta o vírus geneticamente e quais os mecanismos que, de facto, o enfraquecem.

O que a equipa do instituto britânico fez foi comparar os genomas do vírus da bronquite infeciosa que tinham sido passados mais de cem vezes pelos ovos para perceber quais são os genes envolvidos na atenuação do vírus. Os investigadores acabaram por descobrir mutações nos genomas do vírus da bronquite infeciosa, das quais nove se encontravam presentes mais do que uma vez.

“Isto prova que usar as passagens nos ovos como meio para criar vacinas atenuadas contra o vírus da bronquite infeciosa produz mudanças imprevisíveis no vírus”, disse Erica Bickerton, diretora do grupo de coronavírus do Instituto Pirbright.

“A presença de tão poucas mutações consistentes que podem enfraquecer o vírus indica o risco de que uma estirpe criada deste modo possa reverter de forma mais virulenta no campo.”

A investigação sublinha, assim, que é necessário efetuar uma modificação genética mais direcionada dos vírus da bronquite infeciosa para assegurar que as mudanças são fiáveis e conferem melhor proteção.

Cerca de 44 mil milhões de galinhas são criadas todos os anos à escala mundial para o setor da alimentação humana.

O estudo foi publicado no Journal of Virology e pode ser consultado aqui.