Um estudo publicado na revista Nature indica que os cães domesticados viveram ao lado de humanos há entre 14.000 e 16.000 anos, recuando em cerca de 5.000 anos a cronologia anteriormente aceite.
A investigação, divulgada pela University College London (UCL), baseia-se na análise de ADN antigo recolhido em lugares arqueológicos no Reino Unido e na Turquia, incluindo a gruta de Gough, em Somerset.
Inicialmente, os investigadores não conseguiam distinguir se os esqueletos pertenciam a cães ou lobos, dada a semelhança morfológica. A sequenciação genética e a comparação com mais de 1.000 amostras de cães e lobos permitiram confirmar que se tratava de cães domesticados.
“Os investigadores da UCL desempenharam um papel fundamental ao identificar que os restos esqueléticos escavados no sítio do Paleolítico Superior de Gough’s Cave pertenciam a cães domesticados e não a lobos”, refere a instituição.
Resultados semelhantes foram obtidos em amostras recolhidas nos lugares de Pınarbaşı e Boncuklu, na Turquia, também datadas do Paleolítico Superior.
A análise genética indica ainda que estes cães estavam mais próximos dos ancestrais de raças atuais europeias e do Médio Oriente, como o Boxer e o Saluki, do que de raças árticas como o Siberian Husky. Segundo os investigadores, “isto indica que as principais linhagens genéticas dos cães atuais já estavam estabelecidas no Paleolítico Superior”.
Simon Parfitt, coautor do estudo, refere que o ADN “confirma que eram cães domesticados antigos, companheiros leais de caçadores da Idade do Gelo no limite norte do mundo habitado”. O investigador acrescenta que alguns ossos apresentam modificações deliberadas feitas por humanos, sugerindo também um significado simbólico após a morte.
Para William Marsh, investigador do Museu de História Natural e participante no estudo, a identificação destes cães representa “um avanço significativo na compreensão dos primeiros cães”. O investigador destaca ainda que estes dados permitiram identificar outros exemplares em locais da Alemanha, Itália e Suíça, demonstrando que os cães já estavam amplamente distribuídos pela Europa há pelo menos 14.000 anos.
Os investigadores consideram que estes animais desempenhavam funções como parceiros de caça, companhia e guarda. Segundo Louise Martin, professora da UCL, alguns cães foram enterrados juntamente com humanos, o que “destaca a relação próxima e especial entre pessoas e cães mesmo nestas fases iniciais”.

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