Um novo estudo do Royal Veterinary College (RVC) identificou os Boxers, Springer Spaniels e Cocker Spaniels como as raças de cães com maior probabilidade de sofrer lesões na cauda. A investigação analisou a frequência destas ocorrências no Reino Unido, as raças mais afetadas e as práticas veterinárias associadas ao tratamento.
“Uma cauda saudável e funcional desempenha um papel fundamental na vida de um cão, pois facilita a comunicação, o equilíbrio e a marcação de odores. As lesões podem alterar estes comportamentos naturais e ter um impacto significativo no seu bem-estar. São muitas vezes dolorosas e angustiantes para os cães, preocupantes para os tutores e difíceis de tratar para os veterinários”, explicam os investigadores.
O estudo, conduzido pelo programa VetCompass do RVC, analisou registos clínicos veterinários de 285 casos de lesões na cauda e 285 mil cães de controlo, a partir de uma amostra de mais de dois milhões de cães com acompanhamento veterinário no Reino Unido em 2019.
Os resultados mostraram que cerca de 1 em cada 435 cães recebeu tratamento veterinário por lesões na cauda todos os anos. As raças com maior risco são os Boxers (3,61 vezes mais propenso), o Springer Spaniels (2,46 vezes) e o Cocker Spaniels (1,86 vezes). Já o Bulldog francês, que nasce com cauda naturalmente curta, apresentou menor probabilidade (0,11 vezes).
Outros dados indicam que os grupos de cães de trabalho (2,21 vezes) e de caça (1,85 vezes) estão mais expostos a lesões do que outras raças, enquanto os cães de pequeno porte, como os de companhia, apresentam risco reduzido (0,46 vezes). Cães braquicéfalos também mostraram menor vulnerabilidade (0,58 vezes).
A análise também concluiu que os cães que pesavam entre 20 e menos de 30 kg apresentaram um risco significativamente superior (1,65 vezes) em comparação com os que pesavam menos de 10 kg.
Segundo os cientistas, a idade também influencia, uma vez que cães com 12 ou mais anos têm menor risco (0,23 vezes) do que os com menos de dois anos. Já as fêmeas esterilizadas (5,65 vezes), os machos esterilizados (5,59 vezes) e os machos sem esterilização (2,16 vezes) mostraram maior propensão a sofrer este tipo de lesões.
Quanto ao tratamento, o estudo indicou que os analgésicos e antibióticos foram prescritos em 45,6% e 32,6% dos casos, respetivamente, e que 9,1% dos cães lesionados precisaram de amputação cirúrgica da cauda.

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