À semelhança do que acontece na medicina humana, a música pode também beneficiar os animais de companhia submetidos a procedimentos cirúrgicos.
A conclusão é da revista científica Frontiers in Veterinary Science, que publicou uma revisão conduzida por investigadores da Faculdade de Ciências Veterinárias da Universidade de Tessália (Grécia), na qual foi analisado o papel da música como ferramenta terapêutica no período perioperatório de cães e gatos.
A investigação concluiu que a intervenção musical pode funcionar como complemento não farmacológico num enquadramento multimodal, ajudando a reduzir o stress e a ansiedade e a melhorar a experiência geral dos animais antes, durante e após a cirurgia.
“A música pode ser uma ferramenta eficaz para ajudar a acalmar cães e gatos antes, durante e depois da cirurgia, melhorando a sua experiência e potencialmente favorecendo a recuperação”, afirmaram os autores.
O estudo estabeleceu ainda diretrizes para a implementação da música em ambiente clínico veterinário, com base nas evidências existentes sobre ansiedade, anestesia e analgesia, tanto em humanos como em animais. Entre os aspetos a considerar estão o tipo de música, o ritmo e o tom, o volume, o método de reprodução, a duração e a frequência da exposição.
Os investigadores explicaram ainda que as clínicas veterinárias podem ser ambientes desafiantes e stressantes para os animais, o que afeta o seu bem-estar, e que a integração da musicoterapia nestes contextos pode tornar o ambiente mais tranquilo.
De acordo com a literatura científica analisada, a música clássica é a que gera melhores resultados nos cães, enquanto os gatos respondem positivamente tanto à música clássica como à música especificamente criada para a espécie.
Além disso, recomenda-se que o ambiente seja silencioso, que o volume se mantenha estável e abaixo dos 65 dB, e que se evitem mudanças bruscas de tom ou listas de reprodução curtas, de modo a impedir a habituação.
Os autores sublinharam, contudo, que a musicoterapia não deve substituir os tratamentos farmacológicos, mas complementá-los. “A música também pode ser eficaz quando combinada com outras estratégias não farmacológicas, como a terapia com feromonas, criando um ambiente mais holístico”, destacaram os cientistas.
“As futuras investigações sobre intervenções musicais em cães e gatos no período perioperatório têm um potencial promissor para melhorar o bem-estar animal, reduzindo o stress e a ansiedade, minimizando a necessidade de agentes farmacológicos e promovendo estratégias clínicas baseadas em evidência”, concluíram os investigadores.

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