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Investigação

Investigação de ADN da vaca pode ajudar a prolongar a esperança de vida humana

Bem-estar das vacas pode aumentar com pequenas medidas

Os cientistas do Colégio Rural da Escócia (SRUC) anunciaram que o estudo do ADN das vacas, mais especificamente dos telómeros, pode ajudar a avaliar o aumento da esperança média de vida humana.

A conclusão surgiu na sequência de um estudo que analisou a vida de 700 vacas, no qual foram recolhidas 2 000 amostras de sangue. Os cientistas identificaram que, nas primeiras semanas e meses após o nascimento, os telómeros deterioram-se mais, determinando o tempo de vida do animal.

Os telómeros, principalmente presentes em células eucarióticas, são estruturas que formam as extremidades dos cromossomas e cuja principal função é impedir o desgaste do material genético e manter a estabilidade estrutural do cromossoma.

Cada vez que a célula se divide, os telómeros encurtam-se. Além disso, como não se regeneram, a dada altura deixam de replicar corretamente os cromossomas e a célula perde completa ou parcialmente a sua capacidade de divisão. O encurtamento dos telómeros pode eliminar ainda certos genes necessários à sobrevivência da célula.

O estudo revelou também que fatores como o stresse e doenças podem afetar os telómeros. Apesar de estes marcadores não poderem ser alterados geneticamente nos humanos, os estudos sobre a sua deterioração ajudam a prolongar a vida.

Este “marcador biológico” pode ser usado para avançar para a seleção de animais, ajudando os agricultores a avaliar a duração de vida do gado e a determinar quais as vacas que seriam melhores para reprodução, lactação ou para consumo.

“Os dados que recolhemos são os maiores do mundo sobre a medida repetida do comprimento do telómero no mesmo animal ao longo do tempo, por isso é muito valioso”, explicou o professor Mike Coffey, chefe de ciência animal e veterinária da SRU, citado pela publicação MRCVSonline.

“Descobrimos que a maior parte da perda do comprimento do telómero ocorre no início da vida do animal. As células dividem-se rapidamente no início da vida, por isso, o argumento é que os animais que nascem com telómeros mais longos têm uma maior probabilidade de sobrevivência antes dos telómeros mais curtos limitarem as suas vidas”, reforça.

“Se se mostrar que o stresse é a causa da redução de telómeros nos animais, isso dá mais credibilidade à ideia de que algo semelhante pode estar a acontecer nos humanos“, refere a professora Melissa Bateson, do Instituto de Neurociências da Universidade de Newcastle, destacando a importância da pesquisa animal.

“Se pensarmos que os telómeros são uma medida da idade biológica e basicamente resumem todas as coisas más às quais somos expostos durante a vida, [o estudo] é bastante útil [porque] pode contribuir para a nossa compreensão do tipo de fatores do estilo de vida que vão permitir ter uma vida longa e saudável e quais os que podem fazer com que morra jovem”, acrescentou.