Um novo estudo conduzido pelo Royal Veterinary College (RVC), no Reino Unido, confirmou que os coelhos de orelhas caídas apresentam maior predisposição para desenvolver doenças auriculares ocultas e potencialmente dolorosas.
Entre outubro de 2023 e fevereiro de 2024, foram examinados 435 coelhos de raça. A equipa de investigadores percorreu exposições e centros de produção, registando características como tipo de orelha, formato da cabeça, idade e peso estimado, antes de realizar um exame otoscópico completo, avaliando todo o canal auditivo, o pavilhão auricular e o divertículo.
A análise estatística multivariada permitiu comparar a saúde auricular de 49 raças e identificar quais as características físicas mais associadas a doenças do ouvido.
Os resultados foram claros: o formato das orelhas desempenha um papel determinante na predisposição para problemas auriculares. Coelhos de orelhas caídas apresentaram uma probabilidade significativamente maior de desenvolver nove das 11 anomalias avaliadas, incluindo estreitamento do canal auditivo, alterações de cor, descargas húmidas ou escamosas, crostas no divertículo e sinais comportamentais de dor durante a manipulação.
O estudo identificou ainda a influência do formato da cabeça. Assim, coelhos braquicefálicos, de crânio curto e achatado, tinham canais auditivos mais estreitos, enquanto coelhos de crânio alongado, apresentavam maior tendência para desenvolver crostas no divertículo. O peso corporal também se revelou relevante, com animais mais pesados a apresentar mais sinais de inflamação, lesões do pavilhão auricular e reações defensivas durante o exame.
Os investigadores explicam ainda que o estudo vem colmatar lacunas deixadas por estudos anteriores e pretende reforçar a importância de exames otoscópicos de rotina, essenciais para proteger a saúde e o bem-estar destes animais de companhia.
Segundo os mesmo, embora as doenças do ouvido sejam comuns em coelhos, muitos problemas passam despercebidos, já que estes animais raramente manifestam sinais claros de dor. Assim, alterações como excesso de cera, estreitamento do canal auditivo ou fases iniciais de infeção podem permanecer totalmente invisíveis sem um exame veterinário adequado.
As conclusões representam um avanço importante na compreensão das doenças auriculares em coelhos, oferecendo bases mais sólidas para decisões clínicas e de criação, sublinham os cientistas.
Os responsáveis do estudo recomendaram ainda evitar a reprodução de animais que apresentem vermelhidão, crostas, hemorragias ou estreitamento precoce do canal auditivo, bem como daqueles cujos progenitores manifestaram estes problemas.

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