A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) está a intensificar a sua participação na conservação do tartaranhão-caçador, uma ave de rapina com estatuto de conservação “Em Perigo” em território nacional.
A instituição académica transmontana avança que, nesse sentido, já teve início a nova época de incubação e criação em cativeiro, integrada no projeto europeu LIFE SOS Pygargus, coordenado pela organização não-governamental Palombar.
As crias encontram-se atualmente sob os cuidados do Centro de Recuperação de Animais Selvagens (CRAS) do Hospital Veterinário da UTAD, onde permanecerão até completarem o seu desenvolvimento e estarem preparadas para serem devolvidas ao meio natural em condições de segurança.
O tartaranhão-caçador é uma espécie que nidifica diretamente no solo, preferindo zonas agrícolas cultivadas com cereais, forragens e áreas de mato. No entanto, esta estratégia reprodutiva torna a espécie vulnerável, especialmente durante a época de ceifa, quando ovos e crias correm o risco de destruição acidental por maquinaria agrícola.
Para evitar estas perdas, o projeto promove uma monitorização rigorosa no terreno, resgatando ovos e crias sempre que necessário e transferindo-os para a UTAD, onde recebem cuidados especializados.
O projeto LIFE SOS Pygargus, com horizonte até 2030, tem como meta reduzir em 75% a mortalidade da espécie e aumentar em 50% a população reprodutora. As ações incluem campanhas de salvamento e resgate, adaptação de práticas agrícolas ao ciclo de vida da ave, e esforços de sensibilização pública para a importância da sua conservação.
Neste sentido, a UTAD estará ainda envolvida na monitorização do estado de saúde das populações do tartaranhão-caçador através da recolha de material biológico para análises toxicológicas e despiste de doenças infeciosas. A equipa médico-veterinária do CRAS presta também aconselhamento técnico aos profissionais de campo, assegurando os melhores cuidados às crias e ovos resgatados, inclusive durante o transporte.

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