Portimão: Cinco tartarugas foram devolvidas ao mar

Cinco tartarugas-comuns, Caretta caretta, foram devolvidas, ontem de manhã, ao mar na costa algarvia e alentejana, após terem sido salvas por pescadores, GNR e Instituto de Conservação da Natureza (ICN) e terem permanecido dois meses no Porto de Abrigo do Zoomarine para curar mazelas e ganhar peso.

«Sinto-me triste por vê-las partir, mas também estou feliz por lhes poder dar uma segunda oportunidade de vida», contou ao “Diário de Notícias”, o biólogo marinho Élio Vicente, director de Ciência e Educação do Zoomarine.
A corveta da Marinha “General Pereira d’Eça” libertou as tartarugas ao largo de Portimão, a dez milhas da costa (cerca de 19 quilómetros). Os animais foram devolvidos aos oceanos, com anilhas nas barbatanas e um microship.
Depois de ter ficado presa numa rede abandonada, a Dayo foi recolhida perto de Sagres por um pescador que contactou o Zoomarine, onde deu entrada em Outubro de 2006.
Dois meses depois, seria a vez da Dolly, apanhada por um arrastão, cujo comandante «achou que estava muito magra e bastante apática». Já o Explorador, como foi baptizado pelo Zoomarine, chegou ali em Março de 2007, após também ter sido salvo por um pescador na zona da Arrifana (Aljezur), onde flutuava junto a uma bóia. Em Dezembro do ano passado, o Estrunfe foi encontrado pela Guarda Nacional Republicana, na Praia de Armação de Pêra (Silves), com várias mazelas. O mais novo e mais pequeno, a Fyilia, esteve apenas durante três meses no Zoomarine.
«A maioria apresentava ferimentos próprios de anzóis em redes-fantasmas, como lhes costumamos chamar. Ironicamente foram salvas por aqueles que, por norma, achamos que poderiam ser os grandes causadores destes problemas. Mas têm sido os próprios pescadores os seus defensores», acentuou Élio Vicente.
De momento encontram-se no Porto de Abrigo do Zoomarine outras cinco tartarugas, três das quais serão libertadas em Cabo Verde dentro de três semanas.