INFARMED assegura não haver «motivos» para interromper toma de Inegy

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O INFARMED informou ontem que está a analisar os resultados de um estudo norte-americano sobre o medicamento Vytorin, comercializado nos Estados Unidos e indicado para a hipercolesterolemia, que conclui que este fármaco aumenta o risco de cancro. O medicamento não se encontra autorizado no país mas tendo em conta que o Inegy, que é vendido em Portugal, tem a mesma composição que o Vytorin, o instituto adianta que «não existe actualmente motivo para alteração da prescrição e da toma de Inegy dentro das actuais especificações do produto».

Segundo a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, caso o estudo alterar o «benefício-risco deste medicamento, o INFARMED actuará em conformidade e em consonância com os demais estados-membros», explicando que «a avaliação de eficácia e segurança de um medicamento resulta de um conjunto de informação reunida por uma diversidade de ensaios clínicos» e que «a análise de um único ensaio clínico não pode ser suficiente para alterar a relação benefício-risco de um medicamento».
De acordo com os resultados do “Seas”, um estudo que envolveu 1.873 pessoas e 173 centros clínicos, nas análises de segurança «um total de 158 doentes foram registados com acontecimento adverso grave atribuído a cancro», citou o jornal “Público”, tendo-se registado ligeiramente mais mortes devido ao cancro que nos doentes que tomaram placebo. Além disso, não revelou benefícios para os doentes com doença valvular.
Segundo o jornal, os investigadores universitários europeus e norte-americanos que conduziram o estudo concluíram que o fármaco não apresenta benefícios, em relação ao placebo, nos doentes com aquele tipo de doença cardíaca.
Outra conclusão do estudo, publicado ontem no “The New York Times”, revela que os riscos de cancro aumentam com a sua toma.

Merch Sharp & Dome não pondera retirada do Inegy do mercado
O Inegy, vendido em Portugal desde 2005 mediante receita médica, é utilizado para baixar os níveis de colesterol, o que faz de forma eficaz, frisou, de acordo com o “Público”, o director médico da Merck Sharp & Dome, Lai Jen.
Contudo, o mesmo responsável reconhece a credibilidade do estudo, confirmando que o mesmo demonstra que este tipo de doentes cardíacos não beneficia com a administração do medicamento.
Quanto ao aumento do risco de cancro, Lai Jen confirma os resultados, especificando que os carcinomas apresentaram-se em maior número do que nos doentes que tomaram com placebo.
Ainda assim, Lai Jen sublinha que outras investigações, envolvendo maior número de pacientes, não identificaram esta maior prevalência de cancro, acrescentando que o laboratório vai continuar a analisar os dados.
Para já, a Merck Sharp & Dome não pondera a retirada do medicamento do mercado.