Mediterrâneo: Grande concentração de medusas denuncia desequilíbrio ecológico

Mediterrâneo: Grande concentração de medusas denuncia desequilíbrio ecológico

Um grupo de especialistas da organização Greenpeace e do Instituto de Ciencias del Mar (ICM), em Espanha, detectou uma grande concentração de medusas na costa das ilhas Baleares, denunciando o desequilíbrio ecológico existente naquela região.

«As medusas são o paradigma do desequilíbrio ambiental das nossas águas», afirmou, em comunicado, a bióloga Dacha Atienza, do ICM espanhol, citada pelo “Diário de Notícias”.
«Sabe-se muito pouco sobre a ecologia das espécies mais comuns no Mediterrâneo e a falta de estudos científicos é uma parte do problema», referiu a especialista, alertando para a «necessidade de investigar de forma mais intensiva os fundos marinhos na região das Baleares e as comunidades biológicas ali existentes».
Sem aquela informação, «é impossível garantir protecção adequada a essas espécies das profundidades», constatou.
Contudo, existem outras causas para a proliferação das medusas naquela e noutras zonas do Mediterrâneo, explicam os ecologistas. Exemplo disso é a «maior afluência de nutrientes às águas do mar», a pressão da «urbanização costeira» e da agricultura intensiva, que geram essa contaminação, a diminuição da entrada de água doce na bacia oceânica, devido aos caudais mais reduzidos dos rios que ali desaguam e outros desequilíbrios do ecossistema.
Com esta campanha de observação a bordo do Arctic Sunrise, os biólogos e ecologistas chamaram também a atenção para «a necessidade de combater as causas que originam a presença crescente de medusas nas costas baleares a cada novo ano, como única forma de resolver o problema».
Entre aquelas causas encontra-se também a diminuição crescente, ao longo dos últimos anos, dos predadores das medusas, como o atum e as tartarugas marinhas.
O primeiro peixe tem vindo a ser sujeito a uma pesca intensiva que provocou uma queda acentuada nos efectivos da espécie. No que respeita às tartarugas marinhas, além de afectadas pela poluição, são também sensíveis ao aumento da temperatura das águas, registada nos últimos anos, devido às alterações climáticas.
Desde o século XIX que as águas superficiais do Mediterrâneo sofreram um aumento de temperatura na ordem dos 0,6 graus, constituindo outro incentivo importante para as medusas.