Direito de Resposta

Direito de resposta: “3.6% dos Médicos Veterinários não concorda com o Regulamento das Especialidades da OMV”

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No seguimento da notícia publicada pela Veterinária Atual – “Inquérito APMVEAC: 75% dos veterinários não concorda com o Regulamento das Especialidades da OMV” – publicamos o Direito de Resposta da Lista B, de Laurentina Pedroso, às eleições da OMV.

“Decidimos enviar à Veterinária Atual o texto abaixo, a opinião do colega Médico-Veterinário David Ferreira, DVM, DEA, PhD, MOMV, MRCVS, já tornada pública, que acaba por retratar de uma forma muito clara a minha posição como Bastonária, a do Conselho Diretivo da OMV e, não me distanciando da atual situação de novas candidaturas à Ordem, a minha enquanto candidata e a de muitos colegas que se retratam na candidatura que subscrevo. A Veterinária Atual tem publicado de uma forma constante trabalhos que, por falta de referee, acabam por passar uma mensagem errada aos médicos veterinários deste país, desinformando ao invés de informar.

No direito ao contraditório da notícia que publicaram, partilhamos a posição pública de um colega e damos detalhes de como o estudo deveria ter sido corretamente publicado pela Veterinária Atual, entendendo no entanto que esta fonte confiou em dados que uma organização que deveria ser idónea e independente lhe transmitiu.

Citando:

“Tive conhecimento hoje, pela primeira vez, dos dados do inquérito das especialidades. Curiosamente, e ao contrário do que se tem defendido para a OMV, o Presidente da APMVEAC permitiu primeiro a publicação na Veterinária Atual da conclusão dos mesmos, antes que os colegas pudessem ter acesso a estes. Não vejo inconveniente nenhum, se a publicação fosse verídica. Mas não é! Foi mais um momento mediático lamentável, em meu entender, a par das notícias em jornal, que contribuiu para aumentar a crispação dentro da classe, e comprometer a imagem dos seus membros fora da mesma. Antes de prosseguir, gostaria de informar que possuo um vasto curriculum vitae na área científica internacional com mais de 100 publicações nas melhores revistas mundiais da especialidade, sendo revisor internacional para algumas.

Após breve análise do inquérito realizado pela APMVEAC (http://www.apmveac.pt/site/upload/Dados_Tudo_151007_2015.pdf. ), dos 399 inquéritos, apenas 283 inquiridos leram o regulamento das especialidades. Mas, curiosamente, 301 médicos veterinários não concordam com o mesmo. Em abono da veracidade dos factos, desafio os autores do estudo a realizarem uma estatística corretiva, excluído da análise os médicos veterinários que não leram o regulamento, considerando um universo de apenas 283. E posteriormente publicitarem os dados de forma verídica. Por exemplo, “Num universo de 5124 Médicos Veterinários inscritos na OMV, foram analisadas as respostas de 283 inquéritos válidos. Deste universo 65% não concordam com o regulamento das especialidades, o que representa uma expressividade de 3,6% da totalidade da classe Médico Veterinária.”… E não da forma como foram publicitados na Veterinária Atual “Inquérito APMVEAC: 75% dos veterinários não concorda com o Regulamento das Especialidades da OMV”(http://www.veterinaria-atual.pt/inquerito-apmveac-75-dos-v…/). O que não é verdade.”

O mesmo autor, que subscrevemos, dá uma indicação do que deveria ter sido publicado, em prol da transparência e da correta informação dos colegas.

Anexo uma interpretação BÁSICA dos dados que foram alvo do título da notícia na veterinária Atual, que poderia e deveria ter sido realizada, se o objetivo fosse veicular informação isenta. Coloco as respetivas salvaguardas em asteriscos no quadro. (ver quadro em anexo)

quadro direito de resposta

Ainda assim reforçamos que é uma benesse ao Survey Monkey realizado pela APMVEAC considerar os 283 inquéritos como  “válidos” caso que não é possível na realidade comprovar, uma vez que o inquérito era anónimo, não sendo possível validar efetivamente que quem a este respondeu é na realidade Médico Veterinário. Para o efeito, o inquérito poderia ter sido respondido por qualquer pessoa, e uma mesma pessoa poderia ter respondido a este várias vezes. A ser um estudo honesto e verdadeiro, a APMVEAC deveria ter recorrido a uma entidade externa, isenta e independente, que realizasse o estudo e garantisse todas estas situações. “Quando todo o processo de colheita e análise de dados respeita o rigor científico, os resultados são válidos e todos podemos e devemos aprender com eles. Quando as regras básicas de análise de dados não são respeitadas, os resultados estão viciados e só interessam a uma das partes.”