Baleias azuis: Diminuição de vocalizações desperta atenção de especialistas

As vocalizações têm vindo a diminuir significativamente de frequência há já sete ciclos populacionais de baleias azuis em todo o mundo, nos últimos 40 anos, divulgou uma equipa de investigadores do Scripps Institution of Oceanography, o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) e a WhaleAcoustics, uma empresa privada de investigação.

Os cientistas analisaram os dados recolhidos com hidrofones e outros instrumentos e verificaram que o canto daquela espécie marinha, que se acredita ser uma forma através da qual os machos atraem as fêmeas, registou uma queda de frequência até 30% em determinadas populações, segundo o "New York Times"-
O estudo, que ainda não foi publicado, foi analisado por vários especialistas na matéria que definiram a tendência como «dramática», «significativa», «convincente» e «inequívoca».
Os cientistas ainda não conseguiram explicar o facto das baleias azuis oriundas de lugares tão distantes entre si, como o Pacífico Norte e o Oceano Antárctico, terem começado a emitir sons em frequências mais baixas. Cada população de baleias azuis possui um tempo e tom característicos para os seus cantos.
O professor de Oceanografia, no Scripps, e um dos autores do estudo, John Hildebrand, acredita que a queda de frequência pode significar uma recuperação na população de baleias azuis desde que se proibiu a exploração comercial da espécie na década de 70.
Os cientistas acreditam que apenas os machos emitem tais sons. As fêmeas da espécie escolhem parceiros com base em tamanho, um processo selectivo que originou as grandes dimensões da espécie. E, neste sentido, talvez os sons mais graves indiquem um tamanho maior.
Na altura em que as populações eram menores, as baleias podem ter sentido a necessidade de cantar mais alto para que os seus cantos fossem ouvidos.
Sarah Mesnick, ecologista comportamental do serviço de pesca da NOAA e autora do estudo acredita que, agora, os machos podem estar a competir entre si na produção de sons mais graves.
«A ideia é que, face ao aumento da densidade populacional e à existência de mais machos a competir por parceiras, espera-se que os cantos de acasalamento se alterem», afirmou, acrescentando que esta tendência é visível em dois aspectos: «os sons estão cada vez mais graves e o volume também reduziu».
Normalmente, os sons mais graves encontram-se associados ao percurso de grandes distâncias. Contudo, «o alcance vocal das baleias azuis situa-se entre os 10 e os 100 hertz», explicou Mark McDonald, director científico do estudo e físico especializado em acústica submarina.
De acordo com o especialista em fauna marinha da University of Washington’s School of Aquatic and Fishery Sciences, Trevor Branch, as populações de baleias azuis podem estar a crescer 5% por ano, ainda que seja difícil comprovar estes números.
Branch, que não participou do estudo, estima que existam mais de 25 mil baleias azuis, em comparação com as quase 300 mil que habitavam o planeta antes de ter sido aprovada a caça desta espécie.