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Revisão científica analisou fatores de risco do cancro da bexiga em cães e gatos

Revisão científica analisou fatores de risco do cancro da bexiga em cães e gatos iStock

Uma revisão científica recente alertou para a relevância clínica do cancro da bexiga em cães e gatos, uma doença associada a elevada morbilidade e mortalidade, sobretudo em animais mais velhos, e cuja ocorrência está ligada a fatores de risco como raça, sexo, idade, obesidade e exposições ambientais.

A revisão destacou ainda uma maior suscetibilidade em fêmeas de raças terrier e em gatos machos, o que reforça a importância da deteção precoce e da prevenção na medicina veterinária.

 

De acordo com o trabalho, estas neoplasias podem variar entre lesões não invasivas, limitadas à mucosa da bexiga, e formas invasivas, que infiltram a camada muscular e apresentam um comportamento mais agressivo e metastático.

Nos cães, o carcinoma urotelial invasivo é o tipo mais frequentemente diagnosticado, enquanto nos gatos a doença é menos comum, embora apresente um comportamento biológico semelhante.

 

A hematúria (presença de sangue na urina) e a disúria (dificuldade em urinar) surgem como os principais sinais clínicos. Apesar de o cancro da bexiga representar apenas uma pequena percentagem das neoplasias caninas, está associado a elevada morbilidade e mortalidade, sublinhou a revisão.

O estudo identificou vários fatores de risco, incluindo raça, sexo, idade, obesidade, alimentação, esterilização e exposições ambientais. Nas populações caninas, as fêmeas, sobretudo de raças Terrier, apresentam maior suscetibilidade.

 

Destacam-se padrões raciais marcados, com os Scottish Terriers a surgirem como a raça com maior risco de desenvolver cancro da bexiga urinária, seguidos por raças como Cães Esquimós, Pastores de Shetland, West Highland White Terriers, Keeshonds, Samoiedas e Beagles, quando comparados com cães sem raça definida.

No caso dos gatos, a revisão indicou que os machos e os animais de pelo curto são mais frequentemente afetados. Ao contrário do que se observa nos cães, os estudos clínicos em felinos mostraram uma maior proporção de machos com doenças do trato urinário inferior e neoplasias vesicais.

 

Segundo os cientistas, esta maior vulnerabilidade poderá estar associada à obstrução uretral e à retenção urinária, condições que favorecem a estase prolongada da urina e a inflamação crónica da bexiga, fatores potencialmente envolvidos no desenvolvimento do cancro.

A idade surge como outro determinante central, uma vez que a doença afeta sobretudo animais mais velhos, com a maioria dos diagnósticos a ocorrer entre os 9 e os 11 anos, tanto em cães como em gatos.

A revisão referiu ainda que o contacto com inseticidas, herbicidas e produtos antiparasitários é reconhecido como um fator de risco em cães, embora essa associação não tenha sido demonstrada de forma consistente em gatos.

De acordo com os investigadores, e esterilização e a obesidade parecem aumentar o risco nos cães, enquanto alguns hábitos alimentares poderão ter um efeito protetor, já que o consumo regular de vegetais está associado a uma menor incidência da doença.

Segundo concluem os autores, a compreensão destes fatores é fundamental para melhorar a deteção precoce, orientar estratégias de prevenção e reforçar a investigação oncológica comparativa em animais de companhia, com potenciais benefícios também para a saúde humana.

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