A AniCura alertou que o abandono de animais e a sua permanência em meio urbano continuam a representar um desafio significativo para o bem-estar animal e para a saúde pública em Portugal.
De acordo com o Censo Nacional de Animais Errantes 2023, existem mais de 930 mil animais a viver na rua no país, dos quais cerca de 830 mil são gatos. Segundo o grupo de hospitais e clínicas de animais especializado em cuidados médico-veterinários para animais de companhia, apesar dos esforços de sensibilização, a dimensão do problema mantém-se, com muitos animais a viverem sem acompanhamento ou a perderem-se sem conseguirem regressar aos seus tutores.
Perante este cenário, a AniCura destaca a identificação eletrónica como uma das ferramentas mais eficazes para prevenir o abandono e facilitar a identificação de animais de companhia. O microchip, implantado sob a pele e associado a uma base de dados oficial, permite estabelecer a ligação entre o animal e o seu tutor de forma rápida.
Em Portugal, a identificação eletrónica de cães, gatos e furões é obrigatória e deve ser registada no Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC). No entanto, a organização sublinha que muitos animais continuam sem microchip ou com dados desatualizados, o que compromete a sua identificação em caso de perda ou abandono.
A Anicura enfatiza que, entre os principais benefícios da identificação eletrónica, estão a atribuição de uma identidade única ao animal, o aumento da probabilidade de recuperação em caso de desaparecimento, o reforço da responsabilização legal dos tutores e o apoio à rastreabilidade sanitária. A medida contribui também para o controlo da população felina e para a proteção da saúde pública.
Do ponto de vista clínico, os microchips mais recentes permitem ainda medir a temperatura corporal do animal através de leitores específicos, reduzindo o stress durante as consultas veterinárias, frisa o grupo de hospitais e clínicas de animais especializado em cuidados médico-veterinários para animais de companhia.
A nível europeu, está em discussão uma proposta de revisão do regulamento de bem-estar animal, que poderá tornar obrigatória a identificação eletrónica e o registo de animais de companhia em todos os Estados-Membros.
“Não é preciso esperar por uma lei para cuidar dos nossos animais: há gestos de responsabilidade e de amor que fazem a diferença na vida dos gatos e na sociedade”, afirma Susana Beira, Regional Medical Partner da AniCura Portugal, acrescentando que “investir na prevenção hoje é contribuir para uma sociedade mais equilibrada, onde o respeito pelos animais se traduz em bem-estar coletivo, segurança e qualidade de vida para todos”.

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