Opinião

O que esperar do último quadrimestre?

O que esperar do último quadrimestre?

O sector veterinário continua a apresentar uma dinâmica impressionante, à semelhança do ano passado, embora este ano com números mais impressionantes seja na captação de novos clientes, no aumento da carteira de clientes activos ou, obviamente, no aumento da facturação.

Cerca de 60% dos nossos clientes de consultoria estão a crescer a dois dígitos e este facto torna-se ainda mais relevante quando colocamos nesta equação CAMVs que têm mais de 10 anos, ou seja, em plena maturidade no seu ciclo de vida. A que se deve este momentum mais favorável no sector veterinário?

Haverá naturalmente vários factores que, conjugados entre si, ajudam a explicar o fenómeno. Desde logo parece que a palavra “crise” já foi banida do léxico dos portugueses e instalou-se um clima de confiança no mercado, que potencia as transacções comerciais e o consumo médio das famílias. Temos também uma taxa de desemprego mais controlada, assim como maior estabilidade política e social.

Mas não há bela sem senão e, por isso, apesar da redução do rácio de endividamento das famílias e das empresas portuguesas, medida em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB), os rácios de endividamento “mantêm-se entre os mais elevados da área euro, num contexto de baixo crescimento potencial, pelo que um agravamento dos custos de financiamento, ainda que gradual e associado a uma recuperação do rendimento, poderá ter efeitos na capacidade de servir a dívida”, adverte o Banco de Portugal no seu relatório de estabilidade financeira de Junho de 2018. Devemos também considerar que fruto do maior consumismo que estamos a observar, a taxa da poupança encontra-se abaixo da média da área euro e próxima do mínimo histórico. Dá que pensar.

No que toca às empresas, nomeadamente as PME, a dívida também aumentou ligeiramente embora o rácio continue a diminuir, reflectindo o aumento do PIB. Um dos aspectos positivos das empresas reside no facto de estarem financeiramente mais autónomas e mais capitalizadas. Há maior abertura dos bancos para a concessão de crédito a particulares e empresas, mas espero que tenhamos aprendido com os erros do passado (pré-Troika). O próprio Banco de Portugal já alertou que “a recuperação da economia e as baixas taxas de juro mitigam os riscos associados ao elevado endividamento de curto prazo”…

Além deste clima de alguma prosperidade (ao menos já não se fala em “austeridade”) há cada vez maior sensibilização dos tutores de animais para a importância dos cuidados médico-veterinários e bem-estar dos seus animais. Já conseguimos observar maior eficácia e importância concedida à medicina preventiva (vacinas, desparasitações, esterilizações).

Temos verificado em vários centros veterinários que o número médio de visitas anuais tem vindo a subir (ronda as 4 visitas anuais por cliente activo), assim como nas transacções médias por visita. Num centro veterinário com um crescimento natural ao longo dos anos observar-se-á naturalmente um incremento na carteira de clientes activos e, subsequentemente, do volume de negócios.

Mantenho uma perspectiva optimista em relação à evolução de negócio veterinário até o final do ano, em linha com o que temos observado até agora. Teremos em 2018 novo crescimento de dois dígitos no sector veterinário. Em 2019 teremos um desempenho igualmente favorável nos CAMV, tendo dúvidas de como o mercado em 2020 suportará o crescimento dos anos anteriores e que inovações disruptivas poderá apresentar para fazer face às necessidades de um consumidor cada vez mais exigente e astuto.

Em 2017 abriu uma média de um CAMV por semana e acredito, ainda que seja numa base meramente empírica, que em 2018 tenhamos uma média semelhante. É bem provável que dentro de um ano tenhamos cerca de 1.600 CAMV no país. O que praticamente representa uma duplicação em menos de uma década! Muito ou pouco para o mercado que temos? O tempo encarregar-se-á de nos responder…

(O autor escreve de acordo com a antiga ortografia)