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British Veterinary Association

BVA define princípios gerais para o uso ético da IA em medicina veterinária

BVA define princípios gerais para o uso ético da IA em medicina veterinária iStock

A British Veterinary Association (BVA) publicou um conjunto de princípios gerais para orientar a utilização da inteligência artificial (IA) na medicina veterinária, com o objetivo de garantir que estas tecnologias emergentes sejam usadas de forma segura, eficaz e ética.

No total, são oito os princípios que integram a nova posição política da BVA sobre IA na profissão veterinária. As orientações abrangem várias áreas, incluindo a prática clínica, a educação, a investigação, a epidemiologia, bem como a administração e a gestão de clínicas veterinárias.

 

Entre as recomendações, destaca-se a ideia central de que a IA deve ser usada como uma ferramenta de apoio e nunca como substituto do médico veterinário. A associação sublinhou também a importância de os profissionais compreenderem o funcionamento das tecnologias de IA, sentirem-se confiantes na sua utilização e participarem ativamente no desenho, desenvolvimento e validação destas ferramentas, sempre com o foco na saúde e no bem-estar animal.

Os princípios alertam ainda para a necessidade de os veterinários conhecerem a forma como os sistemas de IA são treinados e os contextos em que podem surgir enviesamentos, acompanharem a rápida evolução destas tecnologias e garantirem a proteção dos dados e o consentimento dos clientes.

 

Além disso, a BVA frisa igualmente que a supervisão humana é considerada essencial, sendo o veterinário o responsável final pelas decisões clínicas, devendo também ser capaz de aceder facilmente aos dados utilizados e explicar como a IA chegou às suas conclusões.

A posição política da BVA incentiva uma atitude positiva, proativa e de mente aberta face à IA, sem ignorar os potenciais riscos éticos. Além de apelar ao envolvimento ativo dos profissionais, a associação recomendou também que todos os locais de trabalho veterinários desenvolvam políticas internas para o uso de IA, realizem avaliações de risco rigorosas e criem recursos que ajudem a compreender e avaliar estas ferramentas.

 

A par disto, a BVA defendeu ainda medidas a nível mais amplo do setor, incluindo a criação de normas internacionais de governação e explicabilidade para a IA veterinária, o desenvolvimento de uma regulação ativa no Reino Unido por parte dos reguladores da profissão e a exigência de que os desenvolvedores de tecnologia disponibilizem dados de validação transparentes.

Para o Presidente da British Veterinary Association, Rob Williams MRCVS, “a revolução da inteligência artificial veio para ficar e traz consigo oportunidades importantes, mas também desafios para a profissão veterinária. Adotar uma abordagem positiva e de mente aberta, que encare a IA como uma ferramenta de apoio aos médicos veterinários e a toda a equipa veterinária, é o melhor caminho a seguir para garantir que a profissão se sente confiante na aplicação destas tecnologias no trabalho do dia a dia”.

 

E continua: “os médicos veterinários devem também estar envolvidos no processo de desenvolvimento das ferramentas de IA o mais cedo e com a maior regularidade possível, para que a profissão possa liderar a aplicação destas tecnologias emergentes, assegurando que continuamos a cumprir a nossa prioridade número um: apoiar os mais elevados padrões de saúde e bem-estar animal”.

Para ajudar a enfrentar estes desafios, a BVA desenvolveu uma pirâmide de risco que classifica os perigos associados a alguns dos casos de utilização de IA mais comuns ou em consideração em diferentes contextos veterinários, desde “mínimo” até “inaceitável”.

A organização publicou ainda um conjunto prático de perguntas que os médicos veterinários devem colocar às empresas de software quando realizam avaliações de risco.

 

 

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