Um estudo investigou a relação entre a Diabetes Mellitus (DM) em cães e a inflamação, a função imunitária e os metabolitos da vitamina D, com o intuito de oferecer novas perspetivas sobre como a diabetes afeta a saúde canina.
O estudo, publicado na Frontiers in Veterinary Science, envolveu 40 cães, divididos em dois grupos: 20 cães diabéticos e 20 cães saudáveis. Dentro do grupo de cães diabéticos, 10 tiveram a doença controlada clinicamente, enquanto os outros 10 não tiveram controlo adequado para a diabetes.
Os investigadores concluíram que os cães diabéticos tinham concentrações significativamente mais altas da proteína C reativa (PCR), um marcador inflamatório, em comparação com os cães saudáveis. Além disso, aqueles com a doença da diabetes não controlada apresentaram níveis mais elevados de interleucina-8 (IL-8), outra citocina pró-inflamatória.
De acordo com os cientistas, uma das descobertas mais significativas do estudo foi a alteração na capacidade fagocítica de cães diabéticos. Embora os cães diabéticos apresentassem uma redução na percentagem de leucócitos capazes de fagocitar a Escherichia coli, estes mesmos leucócitos fagocitaram um maior número de bactérias por célula. “Isto sugere uma disfunção na resposta imune, o que poderia aumentar a suscetibilidade a infeções nestes animais”, explicam os investigadores.
O estudo não encontrou diferenças significativas nos níveis de metabólitos de vitamina D entre cães diabéticos e saudáveis, não tendo sido identificadas associações claras entre vitamina D e biomarcadores inflamatórios ou capacidade fagocítica. “Esta descoberta contrasta com estudos em humanos com diabetes tipo 1, onde foi documentada deficiência de vitamina D”, avança a análise.
Segundo os investigadores, este estudo destaca a necessidade de uma avaliação mais abrangente do estado inflamatório e imunológico em cães com diabetes.
“As descobertas sugerem que a inflamação e a disfunção imunitária podem desempenhar um papel crucial no tratamento da diabetes canina, semelhante ao que é observado em humanos com diabetes tipo 1. Além disso, embora a vitamina D não tenha demostrado um impacto direto neste estudo, o seu papel na diabetes canina ainda precisa de mais investigação”, sublinham os cientistas.
No mesmo sentido, o estudo detetou também informações valiosas para veterinários e tutores de animais de companhia, ao destacar a importância de controlar não apenas os níveis de glicose, mas também os marcadores inflamatórios e a função imunológica em cães com diabetes.
“Com este novo conhecimento, abrem-se oportunidades para melhorar as estratégias de tratamento e a qualidade de vida dos cães que sofrem desta doença”, concluem os investigadores.

iStock
