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Médicos Veterinários

APMVEAC disponibiliza recursos para promover a saúde mental das equipas veterinárias

Um em cada três trabalhadores portugueses está em risco de burnout. A conclusão é de um estudo divulgado pela DECO que inquiriu 1146 trabalhadores

A medicina veterinária, com todos os desafios e particularidades inerentes, é das atividades mais afetadas pelo burnout. Para responder a estas necessidades, a APMVEAC tem desenvolvido ações dedicadas à saúde mental dos profissionais e, recentemente, criou uma página no seu site onde disponibiliza ligações a recursos (linhas de apoio, estudos e apps) existentes por todo o mundo. A VETERINÁRIA ATUAL falou com o coordenador da Região Sul da APMVEAC, Paulo Pereira, sobre a atuação da associação nesta vertente e o que está previsto fazer para o futuro.

Qual é o impacto real do burnout no dia-a-dia dos médicos veterinários?

A carga negativa do stresse e de outros problemas decorrentes da atividade profissional dos médicos veterinários na respetiva saúde e no seu bem-estar são sobejamente conhecidos, em diferentes culturas. O real impacto vai ser sempre ficar na penumbra pois esta é uma questão muito estigmatizada e pessoal. A APMVEAC gostaria de ver o assunto abordado num estudo profundo e abrangente à população veterinária em Portugal, mas os recursos necessários têm ainda de ser agregados num projeto bem desenhado e com uma visão de futuro.

Como membro da direção, é confrontado com estes testemunhos diariamente?

Não. Os membros da associação (tal como os profissionais do setor em geral, talvez mesmo da população em geral) não têm por hábito falar deste tema. Administro um grupo exclusivo para médicos veterinários no Facebook onde esta temática é abordada um pouco mais abertamente, mas mais no sentido do desabafo e apoio entre pares.

O que motivou um maior foco na promoção do bem-estar profissional?

Infelizmente, há poucos meses ocorreu mais um desenlace trágico dentro da nossa classe e o tema voltou a ser abordado entre a direção da APMVEAC. Depois de verificarmos que a abordagem a este tema tem sido sempre marcada pelos estudos e palestras retrospetivas, decidimos avançar de forma positiva. Pretendemos desde logo iniciar a discussão do que falta fazer (informar, ajudar, abrir a porta a recursos que possam ser usados no anonimato). Surgiu a oportunidade de realizar um webinar com uma psicóloga especialista em burnout e stresse profissional e fizemos questão de iniciar o projeto numa data concreta, a Blue Monday, supostamente o dia mais difícil do ano. Na nossa ótica, querendo olhar para a questão de forma positiva, alterámos o nome para Bright Monday.

A outra valência imediata que criámos foi a de acrescentar uma página ao nosso site – Bem Estar Profissional – disponibilizando ligações a recursos existentes por todo o mundo, relevantes para o nosso setor, no tema da saúde mental e bem-estar.

Essa página – Bem Estar Profissional – disponibiliza uma compilação de recursos (linhas de apoio, estudos, apps e sites) nacionais e internacionais. No futuro, pretendem criar um plano da APMVEAC, com recursos próprios?

O webinar foi o primeiro desses recursos próprios e estamos já a pensar num novo tema para o próximo. Entretanto, como somos integrantes ativos da FECAVA e da WSAVA, ponderamos adaptar os recursos mais relevantes disponibilizados pelos respetivos grupos de trabalho dedicados a esta temática para a nossa realidade. Estamos também a ponderar medidas de apoio mais concretas, nomeadamente apoiando a procura de ajuda profissional pelos veterinários e desenvolvendo ação de networking e discussão entre pares.

Qual tem sido o feedback por parte dos associados?

O maior feedback que acabámos por ter foi mesmo a participação dos membros no webinar, tendo em conta que foi marcado e divulgado muito próximo da data de realização do mesmo. Depois, os participantes da palestra manifestaram logo interesse nas ferramentas disponibilizadas para gerir o seu stresse. Mas não esperamos nunca muito feedback neste tema. Sabemos que se algum colega for ajudado num dia difícil pelos nossos esforços, o mais certo é que não cheguemos a ter conhecimento. Mas trabalhamos para proporcionar esse momento, que pode ser determinante.

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