A equipa veterinária pode desempenhar um papel decisivo na redução do stress das aves durante as consultas, através de uma abordagem mais calma, gradual e adaptada às características destes pacientes.
A ideia é defendida no artigo “Clínica de animais exóticos sem medo – minimizar o stress das aves”, publicado pela Improve Veterinary Education.
De acordo com o texto, as aves estão entre os pacientes mais sensíveis ao ambiente clínico, não só por serem frequentemente animais de presa, mas também por revelarem elevada inteligência e neofobia perante espaços, objetos e experiências desconhecidas. O transporte, a contenção e a exposição a novos estímulos podem agravar significativamente o seu nível de stress, com impacto direto no estado clínico.
O artigo sublinhou que os sinais de stress agudo em aves podem ser subtis, mas incluem vocalizações intensas, tentativas de fuga, mordeduras, respiração ofegante, batimento das asas, fixação ocular e comportamentos de congelamento. Em situações mais graves, o stress pode mesmo contribuir para alterações fisiológicas importantes, como taquicardia, taquipneia e aumento da corticosterona circulante.
Para minimizar estes riscos, a Improve Veterinary Education defendeu que o exame clínico deve decorrer, sempre que possível, num espaço calmo, isolado e com pouco movimento, permitindo à ave um período de aclimatação ainda dentro da transportadora antes de qualquer manipulação. O objetivo é reduzir o medo e possibilitar uma observação inicial do comportamento e da condição respiratória do animal sem contacto direto.
O texto recomendou ainda que a remoção forçada da ave só seja usada em último recurso, privilegiando-se métodos menos invasivos e mais respeitadores do limiar de tolerância de cada paciente.
Entre as estratégias sugeridas estão a utilização cuidadosa de toalhas, a introdução prévia dos instrumentos de exame no campo visual da ave e o recurso a estímulos positivos, como alimentos apetecíveis, para facilitar a adaptação ao ambiente clínico.
Segundo o artigo, a paciência, o treino prévio e o respeito pelo comportamento natural das aves podem fazer uma diferença significativa na prática veterinária, tornando as consultas menos stressantes e mais seguras tanto para os animais como para os profissionais.

iStock
