Uma nova investigação do Royal Veterinary College (RVC) identificou novos marcadores para o diagnóstico precoce da osteoartrose em cães, através da caracterização tridimensional do osso.
A abordagem permitiu obter novos dados sobre as alterações iniciais da doença, abrindo perspetivas para uma deteção mais precoce tanto em medicina veterinária como humana.
No estudo, a equipa do RVC recorreu a microtomografia computorizada de ultra-alta resolução para caracterizar, em três dimensões, a cabeça femoral — estrutura esférica da articulação da anca, tendo sido analisados tecidos de cães submetidos a cirurgia de substituição total da anca.
Ao contrário de estudos anteriores, que se focavam em pequenas amostras, esta abordagem permitiu avaliar toda a estrutura óssea, revelando que diferentes áreas da cabeça femoral respondem de forma distinta e simultânea à progressão da doença.
Os resultados mostram que, nas fases iniciais da osteoartrose, as regiões internas do osso apresentam alterações previsíveis na sua estrutura, o que pode permitir a identificação precoce da patologia. À medida que a doença evolui, a camada óssea imediatamente abaixo da superfície articular torna-se progressivamente mais porosa, acompanhando o aumento da gravidade da condição e permitindo distinguir entre estádios ligeiros e avançados.
De acordo com dados do programa VetCompass do RVC, algumas raças, como Golden Retriever, Labrador Retriever, Rottweiler e Pastor Alemão, apresentam maior suscetibilidade à doença. Atualmente, as opções terapêuticas concentram-se sobretudo no controlo da dor ou em intervenções cirúrgicas, como a substituição articular.
A investigação, publicada na revista científica Osteoarthritis and Cartilage, reforça a relevância de abordagens integradas no âmbito de “Uma Só Saúde”, ao evidenciar o potencial de aplicação dos resultados em humanos e animais.
Como próximos passos, os investigadores pretendem correlacionar estas alterações estruturais com exames clínicos, com o objetivo de desenvolver métodos não invasivos que permitam avaliar a saúde articular em fases mais precoces da doença.

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