Quantcast
Animais de Companhia

Estudos revelam desconhecimento generalizado sobre importação de cães bebés na UE

Estudos revelam desconhecimento generalizado sobre importação de cães bebés na UE iStock

Dois novos estudos do Royal Veterinary College (RVC), no Reino Unido, revelaram um grande desconhecimento por parte do público sobre as regras, riscos e implicações da importação de cães bebés oriundos de países da União Europeia (UE).

As investigações alertaram para a necessidade urgente de mais informação pública e medidas legislativas para combater um comércio que levanta preocupações em termos de bem-estar animal, saúde pública e ilegalidade.

 

A procura por cães bebés no Reino Unido continua elevada, com cerca de 950 mil cães a serem adotados por ano. No entanto, apenas 20% provêm de criadores registados no país, o que tem alimentado o comércio ilegal, considerado já o terceiro crime mais lucrativo da UE.

Os estudos referem que estes animais, provenientes deste circuito ilegal, tendem a nascer em condições precárias e a ser transportados em viagens longas, aumentando o risco de problemas de saúde física e comportamental. Além disso, há o perigo de introdução de doenças exóticas como Brucella canis, Leishmania infantum e até raiva, com impacto potencial tanto para cães como para seres humanos.

 

Estas preocupações ganham ainda mais relevância após um relatório recente do National Audit Office do Reino Unido (junho de 2025), que alertou para falhas na preparação do país para surtos de doenças animais.

Um dos estudos inquiriu mais de 7.000 tutores de cães no Reino Unido e revelou significativas lacunas no conhecimento sobre:

  • As regras legais de importação, incluindo a idade mínima legal (15 semanas), que muitos confundem com 8 semanas;
  • O facto de os passaportes de animais da UE já não serem válidos no Reino Unido após o Brexit;
  • Os riscos de doenças contagiosas, que 35% dos inquiridos não souberam identificar;
  • Apenas 56% sabiam que a Brucella canis pode afetar humanos, revelando menor consciência do risco para a saúde pública.
 

Já o segundo estudo analisou as perceções dos britânicos sobre cães bebés importados da Roménia, um dos países mais comuns neste comércio. Entre os 4.000 participantes:

  • 70% acreditavam que comprar um cão bebé da UE é igual a comprar um de criador nacional;
  • Mais de 20% achavam que comprar um cão bebé importado era uma forma de “resgatar” o animal, mesmo sendo uma venda comercial;
  • Apenas 40% reconheceram que esses animais podem ser mais difíceis de cuidar;
  • Menos de 20% consideraram o risco de doenças transmissíveis aos humanos.
  • Apenas 2% mencionaram a possibilidade de o animal não se adaptar bem ao novo lar no Reino Unido.

Estes estudos surgem num momento em que está a ser debatido no Parlamento britânico o projeto de lei que visa proibir a importação de cães bebés com menos de seis meses, cadelas grávidas e cães que tenham sido sujeitos a mutilações como corte de orelhas ou cauda.

 

Os investigadores do RVC defenderam que, embora a legislação seja fundamental, deve ser acompanhada por campanhas de sensibilização pública, para garantir que os futuros tutores compreendem os riscos associados à importação destes animais e fazem escolhas informadas.

 

 

Este site oferece conteúdo especializado. É profissional de saúde animal?