O Colégio de Veterinários de Alicante, em Espanha, analisou uso ético e seguro da inteligência artificial (IA) na prática veterinária, com o objetivo de aproximar os profissionais e a sociedade dos debates e avanços tecnológicos que estão a transformar o setor. Para isso, definiu oito princípios orientadores para promover uma utilização responsável destas ferramentas.
Segundo a entidade, este enquadramento pretende criar uma referência para aproveitar o potencial da IA em áreas como a análise de dados clínicos, o apoio ao diagnóstico ou a investigação, sem perder de vista os valores fundamentais da profissão veterinária.
Entre os princípios apresentados estão a supervisão humana em qualquer processo de decisão clínica apoiado por IA e a responsabilidade profissional, mantendo sempre o médico veterinário a decisão final. O colégio destaca também a transparência no funcionamento dos sistemas e algoritmos utilizados, bem como a qualidade e fiabilidade dos dados usados no treino das ferramentas de IA.
O documento sublinha ainda a proteção e segurança da informação utilizada por estas tecnologias, a equidade e ausência de enviesamentos nos resultados gerados, a avaliação e revisão contínua das ferramentas tecnológicas para garantir segurança e eficácia, e a prioridade do bem-estar animal em qualquer aplicação baseada em IA.
Além destes princípios éticos, a entidade sublinha que diferentes organizações profissionais têm vindo a analisar os níveis de risco associados ao uso da inteligência artificial na prática veterinária. Um dos exemplos referidos é o modelo de avaliação desenvolvido pela British Veterinary Association (BVA), que classifica as aplicações de IA em quatro níveis de risco para a prática profissional.
Nesse modelo, o risco mínimo inclui tarefas administrativas ou de apoio, como gestão documental ou ações de marketing. O risco moderado abrange aplicações relacionadas com análise de registos clínicos, investigação ou comunicação com tutores e equipas.
Já o risco elevado diz respeito a ferramentas que podem influenciar a prática clínica, como apoio ao diagnóstico, triagem ou tomada de decisões clínicas. Por último, o risco inaceitável inclui sistemas totalmente automatizados que substituam a intervenção do profissional em áreas como diagnóstico ou tratamento.
Assim, o Colégio de Veterinários de Alicante defende que a incorporação destas ferramentas deve acontecer dentro de um quadro ético claro e sempre sob critério profissional dos médicos veterinários.

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