Uma investigação revelou que o TikTok está a ser utilizado como mercado aberto para o comércio de animais selvagens em perigo, colocando espécies em risco de extinção e minando os esforços globais de conservação.
O estudo, liderado por Angie Elwin, diretora de investigação da organização World Animal Protection, identificou comerciantes no Togo, em África, a publicitar e vender abertamente carcaças de animais selvagens, incluindo o pangolim-de-barriga-branca, uma espécie criticamente ameaçada e cuja comercialização internacional está proibida.
Entre novembro de 2022 e abril de 2024, os investigadores analisaram 80 vídeos públicos de duas contas na plataforma. As imagens mostravam:
– Mais de 3.500 carcaças de animais selvagens;
– 27 espécies diferentes, muitas delas legalmente protegidas;
– Mais de 130 pangolins-de-barriga-branca, cuja venda internacional é proibida.
A dimensão do alcance é igualmente preocupante, pois os vídeos registaram quase 1,8 milhões de visualizações e milhares de interações. Apenas um dos vídeos, que exibia pangolins, somou mais de 216 mil visualizações.
Para Angie Elwin, os resultados são claros: “as redes sociais estão a tornar-se no novo mercado de animais selvagens em perigo. São de fácil acesso e praticamente sem regulação, representando uma ameaça direta à sobrevivência de espécies”.
O estudo mostrou também que o problema vai além da perda de biodiversidade, destacando igualmente o bem-estar animal, com relatos de extrema crueldade — incluindo pangolins fervidos vivos ou queimados —, e a saúde pública, já que o consumo de carne de animais selvagens como pangolins, roedores, mangustos e chacais acarreta riscos de doenças zoonóticas.
Além disso, afeta também os meios de subsistência locais, já que as comunidades acabam por depender de um comércio que compromete a sustentabilidade e ameaça as próprias espécies das quais retiram o seu sustento.
Face a este cenário, a World Animal Protection pede uma ação urgente por parte das entidades responsáveis, sublinhando que “as plataformas digitais não podem tornar-se um refúgio seguro para traficantes”.
De acordo com a organização, “é preciso regular o comércio online de animais selvagens para garantir a sobrevivência das espécies ameaçadas”.

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