Quantcast
Animais de Companhia

Porque é que os fogos de artifício desencadeiam stress em cães e gatos?

Porque é que os fogos de artifício desencadeiam stress em cães e gatos? iStock

O ruído intenso e imprevisível dos fogos de artifício, comum em épocas festivas como o final do ano, continua a ser um fator significativo de stress para cães e gatos, uma vez que estes estímulos sonoros podem desencadear respostas fisiológicas e comportamentais de stress com impacto direto no bem-estar animal.

De acordo com o Colégio de Veterinários de Alicante (ICOVAL), ao contrário do que muitos tutores ainda pensam, o medo dos fogos não se restringe apenas a animais “mais sensíveis”. Mesmo cães e gatos habitualmente calmos podem manifestar ansiedade intensa durante estes episódios.

 

A explicação está, em grande parte, na sua capacidade auditiva: estes animais percecionam sons a frequências mais elevadas e com maior intensidade do que os humanos, fazendo com que o ruído dos fogos seja interpretado como uma ameaça real.

Para além da audição mais apurada, contribuem também fatores como experiências prévias negativas, o ambiente em que o animal vive e o comportamento das pessoas à sua volta. Em termos evolutivos, ruídos súbitos e intensos estão associados a situações de perigo, tempestades, desmoronamentos ou a presença de predadores, ativando respostas automáticas de sobrevivência.

 

Segundo o Colégio de Veterinários de Alicante, durante a queima de fogos, muitos animais entram num quadro de stress agudo. O estímulo auditivo é processado pelo sistema nervoso central como uma ameaça, desencadeando a resposta de “luta ou fuga”. Clinicamente, é frequente observar pupilas dilatadas, taquicardia, hipersalivação, tremores, vocalização excessiva, tentativas de fuga ou procura insistente de abrigo.

Em indivíduos mais suscetíveis, a exposição prolongada ou repetida pode levar a episódios de pânico, com comportamentos destrutivos, auto-lesões ou acidentes associados a fugas. Em cães geriátricos ou com patologia cardíaca pré-existente, este aumento súbito do stress pode representar um risco acrescido, justificando uma abordagem preventiva por parte dos profissionais de saúde animal.

 

Nos gatos, a manifestação pode ser mais silenciosa, com imobilidade prolongada e isolamento. Em cães muito afetados, pode ocorrer diminuição temporária do apetite ou da ingestão de água, situações que, se persistentes, justificam avaliação clínica.

O Colégio de Veterinários de Alicante enfatiza ainda que a atuação preventiva é um ponto-chave na prática veterinária e que, neste caso, aconselhar os tutores a preparar previamente um ambiente seguro pode reduzir significativamente o impacto dos fogos. Espaços interiores, afastados de janelas e portas, com estímulos sonoros controlados, tendem a proporcionar maior sensação de segurança ao animal.

 
Este site oferece conteúdo especializado. É profissional de saúde animal?