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Cães não julgam o comportamento humano, mesmo após interação direta, diz estudo

Cães não julgam o comportamento humano, mesmo após interação direta, diz estudo iStock

Um novo estudo da Universidade de Quioto conclui que os cães não formam “reputações” sobre os humanos, mesmo após observarem ou interagirem diretamente com comportamentos generosos, ou egoístas.

A investigação, publicada na revista Animal Cognition, sugeriu que a forma como os cães avaliam socialmente as pessoas pode ser muito mais complexa do que se pensava.

 

Durante décadas, muitos tutores acreditaram que os cães conseguem “perceber” a natureza das pessoas ao confiarem no instinto dos animais para avaliar quem é digno de confiança. No entanto, segundo a equipa de investigadores, essa perceção não encontra suporte científico consistente.

O estudo analisou o comportamento de 40 cães, expostos a duas pessoas: uma que alimentava outro cão (“generosa”) e outra que se recusava a fazê-lo (“egoísta”). Após observarem estas interações, os cães puderam interagir com ambas as pessoas, enquanto os cientistas registavam comportamentos como a aproximação, os saltos e o tempo passado junto de cada indivíduo.

 

Os resultados foram claros: os cães não mostraram preferência significativa pela pessoa generosa. A sua interação com ambos os humanos foi aleatória, tanto depois de observarem as cenas como após o contacto direto.

“É claro que a formação de reputação pode ser mais complexa do que se pensava, mesmo em animais como os cães, que cooperam de perto com os humanos”, explicou Hoi-Lam Jim, investigadora principal do estudo.

 

Os cientistas apontaram também desafios metodológicos como possível explicação para os resultados. Segundo a investigadora, “é possível que limitações no desenho experimental, especialmente o uso de um teste de escolha dupla, expliquem os resultados negativos, em vez de uma ausência real dessa capacidade”.

A análise, intitulada “Do dogs form reputations of humans? No effect of age after indirect and direct experience in a food-giving situation”, reforçou ainda a necessidade de mais investigação para compreender as capacidades sociocognitivas dos cães. A equipa recomendou futuras comparações entre cães de diferentes idades, contextos e experiências de vida para avaliar se fatores ambientais ou de treino influenciam a perceção social destes animais.

 

Apesar de muitos acreditarem que os cães “sentem” as intenções humanas, a ciência ainda não confirmou essa ideia. Por agora, concluem os investigadores, “simplesmente não sabemos”.

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