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Investigação

Agência de Proteção Ambiental dos EUA lança programa de adoção de animais de laboratório

Agência de Proteção Ambiental dos EUA lança programa de adoção de animais de laboratório iStock

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, sigla em inglês) lançou um programa para promover a adoção de alguns dos cerca de 20.000 animais utilizados em investigação laboratorial, na sequência de planos da administração de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América (EUA), para reduzir significativamente o braço científico da entidade reguladora.

A iniciativa foi revelada pela organização não-governamental Public Employees for Environmental Responsibility (PEER), que teve acesso a um documento interno da EPA anunciando o programa de adoção. Segundo o documento, os animais disponíveis para adoção incluem ratos e peixes-zebra de um laboratório da EPA localizado na Carolina do Norte.

 

A medida surge como consequência de cortes significativos na EPA, com especial incidência na investigação toxicológica e outros trabalhos científicos de base, tradicionalmente conduzidos pelo gabinete de investigação e desenvolvimento da agência.

Esse gabinete será substituído por uma unidade consideravelmente menor, designada “Gabinete de Ciência Aplicada e Soluções Ambientais”, que, segundo a PEER, se dedicará apenas a “funções exigidas por lei”, abandonando a investigação científica de longo prazo.

 

Kyla Bennett, diretora de política científica da PEER e antiga advogada da EPA, criticou a mudança, classificando-a como uma auto-lobotomia científica mal aconselhada”.

E continua: “em vez de desenvolver um plano estratégico para satisfazer as suas necessidades científicas, a EPA de Trump decidiu praticamente abandonar a investigação científica, exceto quando esta é legalmente exigida, optando por uma poupança imediata em detrimento do futuro”.

 

Durante o primeiro mandato de Trump, a agência anunciou um plano para reduzir os testes com animais em 30% até 2025 e terminá-los completamente até 2035. No entanto, a administração de Biden revogou essa estratégia, com a agência a defender agora que seguirá “a melhor ciência disponível”, sem prazos fixos, segundo Kyla Bennett.

Kyla Bennett alertou ainda que a redução dos testes com animais tornará a EPA “ainda mais dependente da investigação produzida por empresas químicas, muitas vezes orientada para ocultar, e não identificar, riscos para a saúde e o ambiente”.

 

Além disso, a especialista sublinhou que o fim da investigação com animais dificultará a avaliação de compostos químicos complexos, como os PFAS, que apresentam milhares de variações, e comprometerá estudos cruciais sobre os efeitos a longo prazo de poluentes, como as partículas finas no ar.

 

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