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Do conforto aos tratamentos personalizados

Do conforto aos tratamentos personalizados

Foi a paixão pelos animais que os levou a optar por profissões ligadas à Medicina Veterinária. Os três sócios do Parque Centro Veterinário acreditam que a cultura de dedicação próxima aos clientes faz a diferença e não hesitam em referenciar casos a hospitais de proximidade quando não têm condições para resolver os problemas ou forma de providenciar tratamentos prolongados. E não têm medo de perder clientes pois a prioridade é decidir o que é melhor para o bem-estar do animal.

Foi o sonho da médica veterinária Ana Branco e da auxiliar Ângela Dias que impulsionou a fundação do Parque Centro Veterinário, em 2015, situado em Caldas das Taipas, concelho de Guimarães. Desde tenra idade que Ana Branco desejava ser médica veterinária. “Recordo-me de brincar aos veterinários com as minhas gatas, por volta dos quatro, cinco anos. Por isso foi com naturalidade que escolhi ser veterinária. Nem fazia sentido seguir outra carreira profissional”, explica. Dentro da Medicina Veterinária destaca a Medicina Interna como área de maior interesse. Ângela Dias partilha esta paixão pelos animais como decisiva, sendo portanto natural encarar esta oportunidade de fazer o que mais gosta.

Mais tarde, já enquanto profissionais ativas, ambas trabalharam juntas e sentiam que tinham uma maneira cúmplice e eficaz de cuidar dos pacientes. Perante uma situação de desemprego simultâneo de ambas surgiu a vontade de montar o próprio espaço e ter um negócio. “Foi nessa fase que fui convidado a integrar o projeto, a fim de conseguir acrescentar valências como a cirurgia e a anestesia ao centro, que viria a nascer”, revela Jorge Leite, também sócio e médico veterinário a trabalhar semanalmente no espaço, por marcação, para avaliação de pacientes ortopédicos e execução de cirurgias de todo o tipo. Desde pequeno que sentia encanto pela profissão de médico veterinário. Já a paixão pela Ortopedia e pela Cirurgia surgiram durante o curso de Medicina Veterinária indo de encontro “às qualidades e skills particulares”.

Denominação e logótipo

O nome foi relativamente fácil de escolher, uma vez que o centro se situa junto do parque da cidade onde se encontram. Por outro lado, o logótipo em origamis “sugere formas florais e animais, recordando elementos da floresta”, explica Ângela Dias. Assumidamente uma clínica veterinária “vocacionada para um atendimento personalizado e de elevada qualidade”, primam pela manutenção de relações de confiança e de proximidade duradouras com os clientes. “Mesmo os imigrantes, que são imensos, recebem mensagens, postais de aniversário e telefonemas a perguntar pelos seus animais. Como resultado desse tratamento personalizado e próximo fazem de nós a primeira escolha quando regressam”, explica a auxiliar de Medicina Veterinária. A equipa é igualmente atenta com a população local e os clientes mais próximos.

“Em Portugal há a falsa ideia entre os jovens veterinários de que trabalhar em clínica é menos desafiante ou prestigiante do que trabalhar num hospital. Julgo que é um engano e estou certo que a atenção e tempo dedicado a cada paciente torna a qualidade do serviço de muitas clínicas igual ou mesmo superior à de muitos hospitais” – Jorge Leite

O centro não se destaca pela possibilidade de os pacientes fazerem um tratamento prolongado no tempo, que exija internamento do animal. No entanto, a clínica foi desenhada para ter “um conforto extremo” para os animais que recebe, durante o período que estiverem. Existem salas de recobro separadas para cães e gatos, com luz individual, pavimento radiante de controlo de temperatura e portas em vidro. “Temos Igualmente uma sala de cirurgia bem equipada, Raio-x digital e laboratório de análises sanguíneas com hematologia e bioquímica”, explica Ana Branco, que acrescenta o facto de a oferta de serviços primar pela qualidade de atendimento humano, mas também pela diversidade da oferta permitindo “chegar de forma célere a diagnósticos finais recorrendo o mínimo possível a serviços externos”. No entanto, todos os casos clínicos diagnosticados, mas que possam requerer internamento, são referenciados para uma unidade hospitalar próxima.

Uma das valências que Jorge Leite gostaria de ver florescer de forma saudável no país é a componente dos seguros. “Teria de ser um serviço mais caro que os atuais seguros, mas que efetivamente protegesse os nossos clientes de uma maneira mais eficaz. Julgo que muitos dos tutores estariam dispostos a pagar por um seguro descomplicado, com coberturas grandes e que fosse útil, em caso de necessidade. Muito naturalmente, para que isso possa acontecer os veterinários terão de ser muitíssimo rigorosos nos seus relatórios e combater as situações de fraude que hoje são ainda muito frequentes”, defende o médico veterinário.

 Mais informação impõe maior exigência

A evolução e o rápido crescimento da Medicina Veterinária consubstanciam-se no maior e mais fácil acesso a informação e formação, tanto no que respeita aos veterinários, como aos tutores dos animais elevando a fasquia na exigência do trabalho desenvolvido. “Hoje em dia, os veterinários são mais ambiciosos, procuram evoluir muito mais, crescer tecnicamente de forma sustentada e oferecer cada vez melhores soluções. E os tutores dos nossos clientes esperam isso de nós e exigem essa qualidade. Num mundo em que cada vez mais o animal é visto como um membro da família, prevemos que o mercado continuará a crescer com uma exigência cada vez maior dos tutores e uma qualidade crescente dos veterinários portugueses”, antecipa Jorge Leite.

Do conforto aos tratamentos personalizados

Os casos que mais frequentes no Parque Centro Veterinário são maioritariamente os de dermatologia, relacionados com alergias alimentares e ambientais. “Muitas vezes, a principal queixa dos donos é o prurido. Comentam frequentemente que o animal se coça durante a noite e que, por esse motivo, não conseguem dormir”, diz Ana Branco.

Dificuldade em contratar

Um dos desafios que os sócios mais têm enfrentado é a dificuldade em contratar profissionais para o centro. Jorge Leite refere que esta realidade é transversal aos CAMV nacionais. “Neste momento existe dificuldade em conseguir contratar veterinários em Portugal, em especial para as clínicas que ficam fora dos grandes centros urbanos, como é o caso da nossa clínica. Mesmo com salários e horários mais atrativos, e mesmo estando muito bem equipados, a vasta maioria dos candidatos mostra preferência em trabalhar num grande centro, num grande hospital ou mesmo em emigrar”, partilha o médico veterinário. E continua o raciocínio considerando que se estabeleceu em Portugal “a falsa ideia entre os jovens veterinários de que trabalhar em clínica é menos desafiante ou prestigiante do que num hospital. Julgo que é um engano e estou certo que a atenção e tempo dedicado a cada paciente torna a qualidade do serviço de muitas clínicas igual ou mesmo superior à de muitos hospitais”.

Ainda assim, a referenciação é algo natural e frequente para os profissionais deste centro. “Não temos capacidade de internar um animal para tratamentos prolongados, nem estamos preparados tecnicamente para resolver todo o tipo de problemas. Sempre que determinado caso clínico exige serviços que não prestamos sugerimos de imediato, ao tutor do animal, a referenciação para um hospital da região. Não tememos de forma alguma uma eventual perda do cliente”, salienta Ana Branco, justificando a decisão a pensar no bem-estar do paciente. “Não encontramos forma mais honesta de trabalhar do que esta. O tutor irá reconhecer essa nossa honestidade e regressar para o normal acompanhamento do caso”, adianta a responsável.

Os elogios a Portugal não se fazem esperar. “Somos um país incrível. Estamos munidos de mentes brilhantes, de colegas corajosos e ambiciosos que fazem a melhor ciência, a melhor clínica, com ferramentas limitadas. Como tal, acredito que em cada área de especialidade existem colegas e clínicas que conseguem oferecer aos seus pacientes um serviço ao nível do que melhor existe no mundo. Obviamente são situações pontuais e nem todas as clínicas vão conseguir oferecer serviços de topo, em todas as áreas”, defende Jorge Leite. Acreditando que não é possível destacar o centro em todas as áreas, apesar da dedicação com que trabalham, salienta a cirurgia ortopédica como a especialidade onde conseguem mais trabalhar com “um nível de qualidade elevadíssimo”.

Fomentar a proximidade com clientes

O contacto muito próximo com os animais e os seus tutores é ponto assente no Parque Centro Veterinário. As redes sociais são uma ferramenta importante para manter esta ligação, sobretudo nos momentos em que estão longe e necessitam dos serviços do Centro. “Igualmente, estas interações nas redes sociais [Facebook e Instagram] acabam por ser vistas por outras pessoas que eventualmente se tornam interessadas e potenciais clientes. Julgamos, por isso, que têm um peso importante no nosso trabalho diário”, salienta Ângela Dias. É lá que podemos encontrar votos de Parabéns na data de aniversário dos pacientes que agradam os tutores, sobretudo os que vivam no estrangeiro, e que ficam muito surpreendidos quando recebem o postal em casa, mas também anúncios para adoção responsável, informações úteis, vídeos, entre outras partilhas que promovem a interação com os clientes.

Sempre que determinado caso clínico exige serviços que não prestamos, sugerimos de imediato, ao tutor do animal, a referenciação para um hospital da região” –  Ana Branco

Existe ainda a preocupação de enviar um postal de aniversário para o tutor do animal, bem como recorrer a SMS e ao WhatsApp para relembrar o momento das vacinas e desparasitações. “Com uma estrutura pequena (como a do nosso centro), mas com uma grande equipa conseguimos fazer toda a diferença num meio pequeno e rural como as Taipas”, defende a auxiliar. De quando em quando é prestado um serviço de Medicina Preventiva ao domicílio, nomeadamente vacinação e desparasitação.

Ao longo destes três anos foram também três os casos que mais marcaram os sócios, como um gato encontrado na berma da estrada por uma das colaboradoras, entre a vida e a morte, numa noite de chuva. Recordam ainda um outro gato, que foi levado pela dona para eutanásia por causa de uma enorme ferida numa pata, mas que a equipa conseguiu salvá-lo assumindo os custos, uma vez que a tutora já não teve interesse em receber o animal de volta. Por último, não esquecem o cachorro que tinha sido atropelado em pleno mês de agosto e foi deixado no centro por um casal de emigrantes que não podia ficar com o animal, nem cuidar dele. “Conseguimos arranjar uma família para todos eles e hoje são animais felizes e gratos”, contam Ana e Ângela.

O mais importante ao final de cada dia? “É o cuidado e carinho genuíno com os animais, é o sorriso quando recebemos as pessoas”, garante Ana Branco. Jorge Leite considera difícil a profissão de médico veterinário. “Trabalhamos com vidas e com um empenho gigante, mas temos um privilégio raro de trabalhar com paixão pelo que fazemos”.