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Grupo Animar: cuidados de saúde e bem-estar animal de proximidade

Grupo Animar: Cuidados de saúde e bem-estar animal de proximidade

“Cuidar com carinho” é o lema do Grupo Animar que integra um hospital veterinário, na Póvoa de Varzim, e três clínicas veterinárias em Vila do Conde, Fão e Esposende. A estrutura mais recente, inaugurada no passado mês de outubro, chama-se “Cão d’Água” e inclui uma boutique e um pet spa. A equipa total do grupo inclui 35 elementos e junta profissionais com mais experiência e know how a jovens que trazem “sangue novo” e uma motivação extra.

Foi em 1999 que o Grupo Animar iniciou a sua atividade com a Clínica Veterinária Ani Mar, localizada na Póvoa do Varzim. A sua fundação foi o culminar de um sonho de dois médicos veterinários – Miguel Matos e Filipa Quintela – que tinham terminado a sua vida académica e decidiram materializar as ambições profissionais num projeto empresarial. Passaram quase 20 anos e muito mudou. “Estávamos longe de imaginar o que nos reservaria o futuro e a dimensão que esta pequena clínica, que passou a hospital há seis anos, viria a ter”, partilha Miguel Matos, proprietário e diretor clínico do grupo.

Desde o início da atividade houve ainda a inauguração da Clínica Veterinária das Alamedas, em Vila do Conde [que foi cedida em 2018 e deixou de pertencer ao grupo], da Clínica Veterinária de Fão e, mais recentemente, de uma unidade em Esposende, a ‘Cão d’Água’, que mais do que um consultório veterinário pretende ser uma boutique animal e um pet spa onde “donos mais exigentes procuram respostas para os desejos dos seus animais”, conta o responsável. Num ano “particularmente intenso”, marcado pela integração da Clínica Veterinária dos Navegantes para que o grupo continuasse a ter representação em Vila do Conde, um dos sócios saiu ficando Miguel Matos com a gestão exclusiva do negócio.

O Hospital Veterinário Ani Mar foi a primeira estrutura hospitalar da região e constituiu “não só uma oportunidade de crescimento, como de disponibilização de serviços veterinários até então inexistentes à população da Póvoa do Varzim e de Vila do Conde”. O diretor clínico assume a “excelente aposta” que se traduziu “em crescimento económico, mas também no incremento motivacional da equipa constituída por profissionais extraordinários”.

Com um horário alargado de atendimento, das 8h00 às 22h00, de segunda feira a sábado, as madrugadas são asseguradas pelo acompanhamento constante e efetivo dos animais internados por parte de um médico e enfermeiro veterinário. O hospital dispõe de zonas de internamento separadas por espécies, dotadas de boxes individuais adequadas aos animais e ao tratamento instituído. Alguns exames complementares de diagnóstico, como a ecografia abdominal e a ecocardiografia são realizados em zonas anexas ao internamento.

“O crescimento da estrutura foi sustentado com a vinda não só de profissionais com formação em áreas específicas, como de pessoas da terra que, concluindo a sua vida académica, pretenderam iniciar a sua vida profissional”, salienta o proprietário assinalando que foi a “proximidade, a dedicação e a competência” que permitiram que o grupo se transformasse naquilo que é hoje. Mas afinal, o que é que os diferencia? Miguel Matos responde: a equipa, a mesma que destaca ao longo da entrevista, e que gosta de homenagear por ser responsável pelo “sucesso alcançado” nas diferentes estruturas. “O nosso maior valor é a equipa. Cada um tem a sua função e age de forma integrada permitindo dar uma resposta competente a quem nos procura”, enaltece.

Médicos de família dos animais

Os quatro espaços pautam-se pelo lema “cuidar com carinho” e envolvem 35 colaboradores havendo sempre a preocupação de conciliar “experiência, juventude, proximidade e ambição”, não só no que concerne aos médicos veterinários, mas também aos enfermeiros veterinários e auxiliares. “São pessoas que dão o melhor todos os dias para responder às necessidades dos pacientes, e a quem agradeço por fazerem parte desta família”, diz o fundador.

Desde a génese do projeto, Miguel Matos procurou conciliar pessoas com diferentes experiências e com provas dadas, tendo profissionais mais experientes e outros que estão a começar. “Temos colegas a trabalhar connosco há mais de uma dúzia de anos, mas também profissionais jovens e ambiciosos”, refere. Alguns deles estagiaram no grupo e acabaram por ficar. “Outros profissionais chegaram até nós por recomendação de colegas para desenvolver especificamente determinas áreas”, acrescenta. Com uma atuação primordialmente assente na Medicina Preventiva, a equipa está preparada para resolver situações inusitadas que surgem diariamente nas várias valências. “Não somos tipicamente um hospital de referência, mas temos estruturas de proximidade que dão uma resposta célere e de qualidade às situações que surgem no dia-a-dia”, salienta Miguel Matos.

Além das consultas de rotina, o destaque vai para o aconselhamento comportamental, a sensibilização para o controlo de peso e para os programas geriátricos. “No entanto, a maior fatia do nosso trabalho reside no diagnóstico e no tratamento das patologias que afetam os animais de estimação”. Estão ainda disponíveis outros serviços complementares como tosquias, banhos, hotel, petsitting, dogwalking, entre outros. O grupo dispõe dos equipamentos necessários para dar respostas às exigências do mercado. Mas de que forma é que as quatro valências interagem entre si?

Miguel Magos explica: “o hospital funciona como estrutura centralizada, melhor dotada de equipamentos e pessoas, e as clínicas veterinárias como unidades referenciadoras que identificam e encaminham os casos mais complicados ou que requerem um acompanhamento próximo”. Um trabalho em sinergia e que se complementa com as chamadas “estruturas de proximidade, em que o médico veterinário é o médico de família dos animais. Além de conhecer a história clínica do paciente, conhece a estrutura familiar e o ambiente que o rodeia”. No hospital é mais difícil criar esta cultura, seja pela existência de horários rotativos, seja pela aposta em áreas de interesse e especialidades que levam a que determinado paciente possa ser seguido por mais do que um médico, consoante os casos.

Uma profissão de escolhas e sacrifício

Natural de Vagos, Miguel Matos licenciou-se em Medicina Veterinária na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro em 1998. Escolheu a profissão pelo gosto que sempre sentiu por animais, mas também por influência do pai, bem como pelos desafios que ela suscitava. Começou por fazer inspeção sanitária e trabalhou durante 10 anos na Direção-Geral de Veterinária, sendo ainda consultor alimentar na Sonae, atividade que mantém desde há 19 anos. “Felizmente, os projetos têm corrido bem e sou cada vez menos médico veterinário de consultório. O meu trabalho diário consiste em cuidar da equipa criando condições para serem excelentes profissionais. É com muito orgulho que trabalho com profissionais competentes e dedicados que se superam, seja na cirurgia, no diagnóstico ou na realização de exames complementares”, elogia Miguel Matos.

A grande dificuldade surge no momento do recrutamento. “Há anos que ouço dizer que há excesso de médicos veterinários, mas pelos mais variados motivos temos dificuldade em recrutar e motivar os colaboradores. Metade da equipa pertence a uma geração antiga, aquela que tinha de acordar cedo, fazer-se à estrada e que trabalhava bem em função dos objetivos comerciais. A outra metade pertence à nova geração, move-se por causas, valoriza o bem-estar e o conforto, sonha alto e tem pela frente este desafio de pensar de forma sustentável”, salienta o diretor clínico.

Apesar de não considerar fácil a profissão de médico veterinário, sublinha que “quando se gosta do que se faz e se trabalha com amor, tudo fica mais fácil”. E acrescenta: “Além da dedicação, do empenho e da resiliência é preciso fazer escolhas… Nada se consegue sem trabalho, sem investimento e sem sacrifícios”.  Em 2019, o grupo comemora 20 anos de uma atividade pautada por escolhas, oportunidades e desafios contínuos, sem esquecer a responsabilidade social. “Os objetivos passam agora por estabilizar, melhorar processos, tirar o melhor proveito das estruturas, e acima de tudo, criar condições para que as pessoas da equipa se sintam bem”.

 

Animal Talks

Miguel Matos juntamente com o colega e amigo Hugo Brancal, fundador e diretor clínico da Clínica Veterinária da Covilhã, criaram o canal de YouTube “Animal Talks”, que procura dar a conhecer a realidade de hospitais e clínicas do nosso país. O projeto avançou, em outubro, para o lançamento do blogue www.animaltalks.pt que conta com a colaboração de colegas de referência em áreas específicas através de artigos periódicos com informação credível para os donos dos animais. O objetivo passa por combater informações dúbias e contraditórias que são facilmente acedidas no mundo atual da internet.

 

Dos momentos de lazer à responsabilidade social

Como forma de aproximar o hospital e as equipas aos donos dos animais, o grupo Animar organiza iniciativas, desde eventos formativos, a momentos de lazer. “Há um mês, na integração da Clínica Veterinária dos Navegantes no Grupo Animar, tivemos um ‘Sunset Vet’ realizado nas traseiras da clínica que fica em frente ao mar”, explica Miguel Matos. Realizou-se ainda um “open day” na abertura do espaço de Esposende, “muito bem recebido pelos tutores”, diz. “No ano passado colocámos bebedouros ao longo da marginal da Póvoa e de Vila do Conde, e este ano, em colaboração com a Fricon e algumas associações, disponibilizámos gelados para cães em bicicletas que podiam circular à beira mar, durante o verão”, conta o responsável. Todos os meses é organizado um evento formativo dedicado a temas variados para tutores no hospital onde podem esclarecer dúvidas, contactar e conhecer a realidade hospitalar.

Exclusivamente para a equipa, existem momentos de teambuilding para fortalecer o espírito de grupo, através de aulas de dança, defesa pessoal, formação em primeiros socorros, jantares temáticos, arboring, paintball, entre outros. “Estamos envolvidos na organização da Cãominhada da Agrosemana que este ano contou com mais de 400 cães, mas também noutros eventos, como o Iron Dog ou provas de agility e mondioring.” Ao nível da responsabilidade social, o grupo tem muito presente a componente solidária, envolvendo-se em vários eventos integrados no “Animar Solidário”, desde a recolha de alimentos para animais abandonados, ou de pacotes de leite e latas de atum para famílias carenciadas do concelho. “Já confecionámos e distribuímos alimentos, e entregámos vestuário, por instituições do concelho e para pessoas sem abrigo do Porto”, explica Miguel Matos.

Este ano, até ao momento foram também concretizadas mais de 75 adoções de animais através do grupo. Na página de Facebook do Hospital Veterinário Ani Mar, com mais de 10 mil seguidores, são divulgados regularmente anúncios de animais disponíveis para adoção responsável. É através da rede social que a equipa aproveita para divulgar alguns vídeos e fotografias de casos clínicos que acompanha, além de partilhar dicas e curiosidades ligadas ao mundo da veterinária, uma ferramenta útil para os clientes.

No ano passado, o Grupo colocou bebedouros ao longo da marginal da Póvoa e de Vila do Conde