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Médicos Veterinários

“Veterinários Anónimos: Gestão de Problemas à la Carte”

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Foi no dia 24 de maio que decorreu a formação “Veterinários Anónimos: Gestão de Problemas à la Carte” na Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), com organização da Stravet e apoiada pela GuruVet, MSO e Veterinária Atual.

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A ideia surgiu ao perceber que há problemas de gestão de clínicas veterinárias que são transversais, independentemente do tamanho da estrutura, idade, tipologia de clientes e localização, inclusivamente a nível internacional.

 

Assim sendo, como o segredo deixou de ser a alma do negócio e uma vez que estamos na era da Coopetição1, esta formação, dedicada a médicos-veterinários e profissionais da área de gestão veterinária, teve como principal intuito a discussão de problemas do dia-a-dia nos CAMVs nacionais, de uma forma aberta e descontraída, sob a forma de fórum e sempre com a mediação da equipa da Stratvet. Foi uma espécie de benchmarking aberto em que os gestores das estruturas que já fazem alguma coisa muito bem, ensinaram os outros a melhorar.

Pelo meio ainda houve tempo para algumas dinâmicas de grupo de forma a descontrair um pouco e a um almoço cheio de conversas.

 

Participaram nesta formação médicos-veterinários de norte a sul do País, gestores de empresas veterinárias e estudantes de enfermagem veterinária da ESAC.

Foi impressionante assistir a uma partilha intensa de preocupações e problemas, mas também de soluções que surgiram do brainstorming gerado essencialmente na própria plateia (tal como era suposto neste encontro).

 

Dos variadíssimos temas abordados discutiram-se finanças e contabilidade, onde a principal queixa (partilhada por vários médicos veterinários) foi a falta de tempo e de formação para possibilitar a realização de análises económico-financeiras básicas da sua própria clínica (muitos desses médicos partilham o tempo com funções de gestão).

Seguidamente e como não poderia deixar de ser, alguém levantou o tema da gestão de recursos humanos e liderança das equipas, em que percebemos que os médicos veterinários têm sérias dificuldades na delegação de tarefas, muitas vezes por receio que as más experiências do passado se voltem a repetir. Para o fazer será essencial manter uma comunicação clara e objetiva, bem como adaptar os tipos de tarefas à maturidade da pessoa que a recebe.

 

Já no que toca às dificuldades em manter as equipas de trabalho, talvez seja altura de começar a desmistificar a conotação da clínica de animais de companhia, com ambientes de trabalho hostis, uma vez que na verdade tem havido uma melhoria muitíssimo significativa neste campo. É por isso altura de dizermos aos nossos colegas mais novos que pode ser um trabalho muito gratificante e promissor, mesmo neste cantinho à beira-mar plantado. Essa foi precisamente outra das preocupações identificadas, devido ao grande número de colegas que prefere trabalhar no estrangeiro.

Por outro lado, ouviram-se testemunhos de estudantes e recém-licenciados enfatizando a importância da qualidade de vida, dos horários compatíveis com o equilíbrio da vida pessoal e familiar, do espírito de pertença a uma equipa unida, do bom ambiente, do respeito e apreço pelo trabalho efetuado, e da qualidade de vida em geral, em detrimento de salários elevados.

Desta vez não esteve representado nenhum elemento pertencente a um grupo económico, mas é expectável que tal possa vir a acontecer numa edição futura.

Em jeito de resumo, foi um dia muito bem passado com um espírito de solidariedade entre colegas impressionante, mas também com uma intensa partilha de conhecimentos práticos para utilizar e rentabilizar logo no dia seguinte.

1 Para os que estão menos familiarizados com o termo, coopetição refere-se à competição saudável e cooperativa, em que uma empresa está tanto melhor quanto melhor estiver o mercado em que se insere.

* DVM, MBA, diretor clínico Vet Póvoa, consultor Stratvet

 

 

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