O uso de insetos na alimentação está a ganhar terreno tanto na nutrição humana como animal, com um novo estudo científico a concluir que a farinha de insetos pode ser usada na alimentação de gatos adultos sem causar efeitos adversos, sendo uma alternativa segura e eficaz às fontes tradicionais de proteína.
Os investigadores testaram diferentes tipos de farinhas de insetos em dietas para gatos e confirmaram que os animais mantiveram uma boa digestão, saúde estável e uma flora intestinal equilibrada.
A investigação analisou três tipos de farinhas — de barata cinérea, barata de Madagáscar e Zophobas morio (uma espécie de larva) — introduzidas em duas proporções distintas: 7,5% e 15% da dieta. O estudo foi conduzido ao longo de seis períodos de 15 dias, observando o comportamento digestivo dos gatos, análises ao sangue, composição das fezes e o estado da microbiota intestinal.
Os resultados mostraram bons níveis de digestão para todas as dietas com insetos, sendo que, apenas a farinha de barata de Madagáscar apresentou uma digestão ligeiramente melhor no que diz respeito à quitina, uma substância presente nos insetos.
Além disso, os cientistas verificaram alterações positivas em alguns compostos benéficos produzidos no intestino, sem impacto negativo no pH ou no aspeto das fezes. Também não foram detetadas mudanças nos parâmetros sanguíneos, como ureia ou creatinina, o que indica que a saúde geral dos gatos não foi afetada.
Outro ponto importante foi a análise da microbiota intestinal, que não registou diferenças relevantes entre os gatos alimentados com farinhas de insetos e os que seguiram a dieta convencional.
Desta forma, os investigadores afirmaram que incluir até 15% de farinha de insetos na alimentação de gatos adultos é seguro e pode ser uma opção viável e sustentável, num momento em que se procura reduzir o impacto ambiental das fontes de proteína tradicionais.

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