Investigação

Anti-inflamatório veterinário carprofeno pode retardar o coronavírus

Laboratórios de saúde animal apostam em abordagem ‘One Health’

Dois medicamentos anti-inflamatórios, o carprofeno e o celecoxib, foram identificados como possíveis inibidores da replicação do coronavírus SARS-CoV-2, segundo um estudo realizado pelo grupo de investigação Química e Nutrição da Universitat Rovira i Virgili (URV), em Espanha.

Os resultados do estudo foram publicados no International Journal of Molecular Sciences, o primeiro a ser publicado, a nível mundial, sobre o reposicionamento de medicamentos como inibidores de uma enzima-chave para o coronavírus.

De acordo com notícia publicada pela Animal’s Health, os investigadores utilizaram técnicas informáticas para prever se algum dos 6 466 medicamentos, autorizados por várias agências de medicamentos para uso humano e veterinário, poderiam ser utilizados para inibir a enzima M-pro.

Essa enzima é a protéase, responsável pelo corte de dois polipéptidos, um tipo de molécula produzida pelo próprio vírus e que gera proteínas essenciais para a sua reprodução.

De acordo com o estudo, sete dos quase 6 500 medicamentos analisados podem inibir essa proteína-chave na replicação do vírus e, consequentemente, impedir a sua replicação.

Os resultados obtidos com as sete moléculas foram partilhados com a iniciativa internacional Covid Moonshot, que selecionou duas, o carprofeno e o celecoxib, para testar in vitro a sua capacidade de inibir a principal protéase do vírus, a tal enzima M-pro.

Os resultados obtidos mostram que uma concentração de 50 µM (micromol/litro) de celecoxib tem uma capacidade de 11,9% para inibir a atividade do M-pro e do carprofeno, 4%.

Não se trata de inibidores muito potentes, mas o estudo indica que os compostos podem ser utilizados como ponto de partida para conceber derivados com maior capacidade.

Espera-se ainda que as cinco moléculas restantes sejam selecionadas em breve pela Covid Moonshot para serem testadas.