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Médicos Veterinários

Estudo mostrou que formação e limpeza eficaz reduzem contaminação em clínicas veterinárias

Estudo mostrou que formação e limpeza eficaz reduzem contaminação em clínicas veterinárias iStock

Um novo estudo concluiu que as clínicas veterinárias podem reduzir de forma significativa os níveis de contaminação através da combinação de protocolos de limpeza otimizados, formação do pessoal e monitorização regular da higiene.

A investigação, da autoria do veterinário clínico e consultor internacional Neil Forbes, analisou o impacto de uma intervenção estruturada em 13 clínicas de animais de companhia, avaliando os níveis de contaminação antes e depois da sua implementação.

 

A contaminação foi medida com recurso a testes de trifosfato de adenosina (ATP), um método utilizado para avaliar a presença de matéria orgânica nas superfícies.

As medições iniciais foram realizadas antes da intervenção e repetidas após a formação das equipas e a introdução de protocolos de limpeza padronizados.

 

Novas avaliações tiveram lugar 70 dias depois em 11 clínicas e, em média, 128 dias depois em cinco unidades. As amostras foram recolhidas em várias áreas, incluindo receção, gabinetes de consulta, zonas de preparação e diagnóstico, salas, bloco operatório, cozinha, laboratório e áreas reservadas ao pessoal.

O protocolo aplicado incluiu a remoção de biofilmes com um desengordurante, seguida de limpeza de rotina com um detergente desinfetante veterinário padrão e a aplicação, por nebulização, de um desinfetante veterinário certificado.

 

Antes da intervenção, os níveis médios de contaminação eram 14,7 vezes superiores aos valores recomendados. Após uma sessão de formação de 45 minutos dirigida ao pessoal e a aplicação do protocolo de limpeza estandardizado, os níveis de contaminação diminuíram 61% ao fim de 70 dias e 71% após 128 dias.

As superfícies de contacto frequente, tais como maçanetas de portas, chaleiras e teclados, registaram a maior melhoria, com uma redução de 80%, enquanto as superfícies gerais apresentaram uma diminuição de 56%.

 

Os resultados do estudo, intitulado “An educational intervention, the use of optimal sanitisation and regular measurement of infection control outcomes can greatly reduce contamination levels in the veterinary practice”, evidenciaram a importância de reforçar as estratégias de controlo de infeções nas práticas veterinárias.

De acordo com o autor do estudo, Neil Forbes, a maioria dos problemas de higiene é facilmente resolvida depois de identificada. O investigador sublinhou também ainda que estudos longitudinais em hospitais humanos demonstraram que a redução dos níveis de ATP está associada a uma diminuição das infeções nosocomiais entre 45% e 75%, num período que pode variar entre 18 meses e cinco anos.

Neste sentido, o estudo recomendou que as clínicas veterinárias reforcem o controlo de infeções através da nomeação de um responsável dedicado a esta área, da realização de testes de ATP de forma regular, idealmente mensal, da sensibilização de toda a equipa para as fontes de infeção, vias de transmissão e gestão de risco, bem como da adoção de um sistema de saneamento em dois passos, baseado numa limpeza eficaz seguida de desinfeção.

 

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