As famílias espanholas com animais de companhia gastam, em média, entre 500 e 1.000 euros por ano, um valor que inclui alimentação, cuidados veterinários, acessórios e serviços.
A alimentação representa atualmente entre 40 e 60 euros por mês por animal, um valor acima dos cerca de 25 euros mensais registados, em média, há uma década. As despesas veterinárias surgem como o segundo maior gasto.
De acordo com um estudo elaborado pela EAE Business School, em Espanha, este peso crescente no orçamento familiar acompanha um fenómeno social já descrito como estrutural: os animais de companhia estão presentes em 49% dos lares em Espanha e o recenseamento estimado ultrapassa os 30 milhões de animais.
No caso de cães e gatos, o Registo de Identificação de Animais de Companhia em Espanha contabiliza 10,9 milhões de exemplares (mais de 85% são cães), segundo a análise.
A dimensão social tem tradução direta na economia. O setor dos animais de companhia espanhol atingiu uma faturação de 5.770 milhões de euros em 2023, com um crescimento anual de 8,3%, e sustenta 75.000 empregos diretos através de uma rede de mais de 12.300 empresas.
De acordo com a Associação Madrilena de Veterinários de Animais de Companhia (AMVAC), os gastos veterinários podem representar “até 45% da despesa total” com os seus animais.
“As consultas de rotina, vacinas e check-ups convivem hoje com uma especialização crescente da medicina veterinária. Em 2024, uma consulta padrão ultrapassa os 35 euros, enquanto uma intervenção cirúrgica simples pode situar-se em torno dos 300 euros, sem contar urgências ou tratamentos prolongados”, explicaram os autores do estudo.
A este cenário juntam-se serviços que antes eram pouco comuns no dia a dia de muitos tutores: telemedicina veterinária, fisioterapia para recuperação após lesões ou cirurgias, tratamentos de odontologia e planos de saúde por subscrição.
Segundo o estudo, na prática, estas opções podem evitar uma fatura elevada quando surge um problema, mas podem fazer com que a despesa deixe de ser apenas pontual e passe a ser regular.
O estudo liga ainda esta subida de custos a uma transformação do consumo marcada pela “humanização” dos animais de companhia. Os dados apontam uma clivagem geracional: 45% da Geração Z e 40% dos Millennials afirmam que o seu animal é “o mais importante” nas suas vidas.
A expansão da alimentação premium, seguros veterinários, serviços de grooming, creches e residências especializadas reflete uma maior disponibilidade dos tutores para suportar custos adicionais associados ao bem-estar animal.
“A economia à volta dos animais de companhia em Espanha deixou de ser um fenómeno marginal para se consolidar como uma realidade estrutural que afeta milhões de lares, o tecido empresarial e as políticas públicas”, concluíram os autores.

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