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Animais de Companhia

Custos veterinários crescem na Europa e levam a mais abandonos de animais

Custos veterinários crescem na Europa e levam a mais abandonos de animais iStock

O preço dos serviços veterinários na Europa aumentou mais de 30% desde 2015, superando a inflação geral e dificultando a vida de muitas famílias. Segundo o Eurostat, os custos cresceram mais de 30% na zona euro e quase 37% no conjunto da União Europeia (UE).

Isto significa que uma consulta ou tratamento para animais de companhia custa hoje cerca de um terço mais do que há dez anos. O aumento foi particularmente sentido na Europa Central e de Leste, com a Hungria a registar uma subida de 116% e a Polónia de 85%, seguidas da Eslováquia (84%) e da Bulgária (64%).

 

Uma das razões para esta escalada foi o boom do mercado durante e após a pandemia, quando milhões de famílias adotaram animais. De acordo com a Federação Europeia da Indústria de Alimentos para Animais de Companhia (FEDIAF), quase metade dos lares europeus (49%) tem um animal de companhia, num total de 139 milhões.

O impacto destes custos e da adoção durante a pandemia também se reflete no abandono de animais. Na Alemanha, a Federação de Bem-Estar Animal revelou que 69% dos abrigos estão no limite da capacidade e 49% estão cheios ou sobrelotados. Apenas 18% ainda conseguem receber novos animais.

 

Em Espanha, as estimativas apontam para cerca de 300 mil cães abandonados em 2024, apesar das regras de identificação e esterilização. Em França, calcula-se que entre 100 mil e 200 mil animais de companhia sejam abandonados todos os anos.

“O número de pessoas que querem livrar-se dos seus animais parece ser maior do que nunca. Os abrigos estão sobrecarregados e já não conseguem cuidar de todos os animais em necessidade”, afirmou Thomas Schroeder, presidente da FEDIAF.

 

Um estudo publicado em 2024 na revista Veterinary Sciences alertou para a crescente “corporização dos cuidados veterinários”, com 16% dos profissionais a trabalhar em clínicas pertencentes a grupos empresariais, face a 51% em consultórios independentes. Entre os mais jovens, esta tendência é ainda mais clara. A análise avançou que 43% dos inquiridos com menos de 35 anos e 57% dos que têm menos de 40 trabalham em estruturas corporativas.

Segundo os autores, embora isso possa trazer “percursos de carreira estruturados e economias de escala”, existem riscos de aumento de preços, perda de autonomia para os veterinários e menos concorrência, temas que já estão sob análise de entidades reguladoras como a Autoridade da Concorrência do Reino Unido.

 

 

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