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Castração precoce pode aumentar risco de doenças no ligamento cruzado cranial em cães

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Uma nova investigação publicada no Journal of Small Animal Practice sugere que a castração realizada antes dos 2,9 anos de idade em fêmeas e dos 2,2 anos em machos está associada a um aumento substancial do risco de desenvolver doença do ligamento cruzado cranial em cães.

A doença do ligamento cruzado cranial já tinha sido relacionada anteriormente com a função das gónadas dos animais. Contudo, até agora, não existia um consenso científico sobre o que deveria ser considerado uma castração “precoce” em machos ou fêmeas.

 

Para estudar esta questão, os investigadores realizaram uma análise de dados de mais de 20.000 cães, recolhidos ao longo de 36 anos, com o objetivo de explorar a relação entre a exposição às hormonas das gónadas e o risco de desenvolver a doença do ligamento cruzado cranial.

Diferentemente de estudos anteriores, esta investigação tratou a exposição hormonal como uma variável contínua, em vez de dividir os cães em faixas etárias arbitrárias.

 

Os resultados mostraram que a prevalência da doença do ligamento cruzado cranial foi de 2,49% nas fêmeas e 1,89% nos machos dentro da amostra estudada. O risco mais elevado de sofrer dessa patologia foi observado em cães com menor exposição às hormonas das gónadas, ou seja, antes dos 1.054 dias de vida nas fêmeas e dos 805 dias nos machos. Por outro lado, o risco mínimo foi alcançado aos 2,9 anos nas fêmeas e aos 2,2 anos nos machos.

Segundo os investigadores, estas descobertas sugerem que a castração precoce está provavelmente associada a um aumento do risco de doença do ligamento cruzado cranial e que os limites previamente propostos de dois anos de idade carecem de uma base científica sólida.

 

Os autores concluíram que a remoção das hormonas das gónadas deve ser realizada, se for o caso, apenas após o cão atingir a maturidade musculoesquelética.

No entanto, os cientistas alertaram para a importância de não ignorar os benefícios sanitários da esterilização na redução de outros riscos de doenças, sublinhando que as políticas gerais de esterilização podem não ser as mais adequadas e que cada decisão deve ser tomada de forma individualizada.

 
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