Um novo estudo publicado na revista Frontiers in Veterinary Science alertou para a elevada prevalência de sofrimento psicológico e tendências suicidas entre veterinários, nomeadamente no Norte da Europa.
Segundo o estudo, as taxas registadas duplicam em comparação a outros profissionais de saúde e quadruplicam em relação à população em geral.
A investigação, conduzida entre julho de 2021 e fevereiro de 2022, contou com 724 participantes da Hungria, Finlândia, Suécia, Alemanha, Estónia, Dinamarca e Noruega. O questionário analisou variáveis como país, idade, sexo, carga horária, funções exercidas e tempo de férias anuais.
Os resultados confirmaram que os fatores de stress relacionados com o trabalho têm um impacto significativo na saúde mental dos veterinários. Entre os principais motivos de tensão, destacam-se as expectativas dos tutores para diagnósticos rápidos, especialmente na Alemanha e na Hungria, onde a diferença foi estatisticamente relevante.
Além disso, muitos participantes referiram ainda ansiedade elevada associada ao cumprimento rigoroso de horários e responsabilidades.
De acordo com a investigação, intitulada A cross-national study on mental health, psychological distress and suicidal ideation among veterinarians in multiple European countries, o impacto emocional da prática de eutanásia foi classificado como baixo, embora com variações entre países.
Os profissionais mais jovens (23 a 34 anos) relataram com maior frequência efeitos negativos na sua saúde mental. Já as mulheres veterinárias mostraram-se mais propensas a procurar apoio profissional, e os profissionais mais velhos e em cargos de liderança revelaram maior capacidade de gerir a própria saúde mental.
“Embora as causas subjacentes do suicídio sejam complexas e multifatoriais, abordar os stresses ocupacionais específicos pode ser crucial para melhorar a saúde mental e reduzir o risco psicológico nesta profissão”, sublinharam os cientistas.

Image generator/ChatGPT
