A União Europeia (UE) alcançou um acordo histórico para proibir o recurso a testes em animais no desenvolvimento de detergentes e produtos de limpeza. A medida resulta de uma revisão do regulamento europeu dos detergentes e entra em vigor a partir de meados de 2029.
Com as novas regras, a avaliação da segurança destes produtos para a saúde humana e para o ambiente poderá vir a ser feita apenas através de métodos cientificamente validados que não envolvam o uso de animais.
Durante décadas, detergentes e tensioativos foram testados em animais, muitas vezes através de procedimentos invasivos e com sofrimento significativo, apesar das limitações desses testes na previsão dos efeitos em humanos.
Para o Eurogroup For Animals, a decisão da UE reflete uma mudança de abordagem, alinhando ciência e ética. Segundo o grupo de defesa do bem-estar animal, Bruxelas reconhece que os métodos alternativos, baseados em novas tecnologias e modelos avançados, são cada vez mais fiáveis e permitem obter dados de segurança robustos sem causar danos a animais.
De acordo com o grupo de defesa do bem-estar animal, a proibição reforça os padrões éticos aplicáveis ao setor dos detergentes e enquadra-se numa ambição mais ampla de modernização da legislação europeia sobre produtos químicos. Segundo as instituições europeias, é possível proteger a saúde pública e o ambiente sem recorrer à experimentação animal.
Apesar do avanço, organizações de defesa dos animais sublinharam que o caminho ainda não está concluído. A legislação europeia sobre produtos químicos, nomeadamente o regulamento REACH, continua a depender fortemente de testes em animais, o que evidencia a necessidade de um plano claro para eliminar progressivamente esta prática em toda a avaliação de segurança química.
Tanto o Eurogroup for Animals como outras associações têm defendido esta causa há vários anos, apoiadas por forte mobilização pública, visível em iniciativas de cidadãos europeus como a campanha contra testes cruéis em cosméticos. O movimento tem contado também com o apoio de setores como a indústria farmacêutica, os bens de consumo e a alimentação.

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