- Veterinaria Atual - https://www.veterinaria-atual.pt -

Estados Unidos: casos de parvovirose crescem 70% durante pandemia

A parvovirose, uma doença canina altamente contagiosa, voltou a gerar surtos este ano. O BluePearl Specialty and Emergency Pet Hospital, nos EUA, que relatou um aumento “alarmante” no número de casos confirmados de enterite parvoviral e hospitalizações durante a pandemia, aponta que as medidas de confinamento para a contenção da pandemia de covid-19 podem ter tido impacto no surto.

Os dados do BluePearl Specialty and Emergency Pet Hospital têm origem em mais de 90 hospitais de animais de estimação e mostram um crescimento de 70% nos casos de parvovirose nas urgências deste ano, em comparação com o mesmo período nos últimos cinco anos.

 

“Estamos nas fases muito iniciais da análise destes dados, procurando possíveis causas do aumento e determinando quais são as implicações para esta e outras doenças evitáveis dos animais de companhia”, refere o médico-chefe do hospital, James Barr, citado pela Veterinary Practice News.

Os potenciais fatores incluem perturbações na calendarização ou prevenção de cachorros que recebem uma série completa de vacinas profiláticas [1], resultando em imunidade incompleta; a adoção de animais de abrigo antes da conclusão da vacinação; maior exposição a parvovírus no exterior (ou seja, parques para cães); e dificuldades financeiras (como consequência da perda de emprego, cortes salariais) impedindo ou atrasando as vacinações de rotina.

 

Segundo as guidelines da Associação Mundial de Veterinários de Animais de Companhia (WSAVA), o período de primovacinação deverá ter início entre as seis e as nove semanas de idade e manter-se até às 16 semanas, consistindo este plano na administração das vacinas essenciais a cada 3-4 semanas.

“Os surtos de parvovírus representam uma séria ameaça para os nossos amigos caninos, mas saltar as vacinas de rotina pode também pôr a saúde humana em risco através da possibilidade de exposição à raiva”, explica Barr.

 

“Como profissionais veterinários, devemos defender o papel crítico da medicina veterinária na saúde pública, e defender a mensagem: os animais de estimação servem não só como fontes inestimáveis de apoio emocional, mas também como sentinelas e potenciais vetores de doenças infeciosas. [2]

Para os cães, as vacinas principais são: contra a esgana, hepatite infeciosa canina (adenovírus), a parvovirose, parainfluenza canina, leptospiroses e a raiva.

 

“Se os EUA continuarem a ver aumentar os casos de covid-19 ou uma segunda vaga, isto pode exacerbar estas tendências e prejudicar ainda mais os nossos pacientes”, acrescenta a gerente de programas clínicos do hospital, Lenore Bacek.

A gerente sugere ainda que “para evitar um novo aumento e para assegurar que isto não volte a acontecer, os hospitais veterinários e empresas relacionadas devem continuar a ser reconhecidos como serviços essenciais”.