Investigação

Continua o rastreio da origem de transmissão de covid-19 a humanos

Continua o rastreio da origem de transmissão de covid-19 a humanos

Continua o trabalho de investigação da origem da transmissão do coronavírus a humanos, mais precisamente para perceber como é que o vírus foi transmitido pela primeira vez do seu hospedeiro animal ao Homem.

De acordo com o especialista em segurança alimentar e zoonoses da Organização Mundial da Saúde (OMS), Peter Embarek, o mercado húmido da cidade de Wuhan, na China, entretanto encerrado, pode ter “desempenhado um papel” no surto, mas ainda não foi possível confirmar se efetivamente foi a origem do vírus.

“Todos os estudos preliminares, entrevistas e recolha de dados ajudarão a identificar, em tempo e em termos geográficos, a origem do novo coronavírus”, explicou o especialista, citado pelo Portal Veterinaria.

“Nesse caso, poderia ser no mercado de Wuhan, mas também poderia ser fora ou mais longe, e, portanto, não faz sentido começar a testar animais em todo o lado, antes de fazer esse trabalho de base”, acrescentou.

Numa videoconferência com jornalistas, Embarek destacou o fato de que muitas pessoas apresentaram poucos ou nenhum sintoma de infeção pela doença, o que terá contribuído para a rápida disseminação do surto.

De acordo com Embarek, nos surtos anteriores de coronavírus, como o episódio da síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS), em 2012, encontrar o ponto que gerou a transmissão animal-humano não foi simples. Foram necessários meses de pesquisa epidemiológica e um pouco de “sorte” até que a transmissão relacionada a camelos fosse identificada. No decorrer da investigação, as autoridades de saúde do Qatar relataram dois casos suspeitos numa fazenda, confirmando, posteriormente, estarem relacionados a dromedários.

“Para o vírus MERS demorou cerca de um ano para encontrarmos a origem do vírus, nunca é tarde, mas é importante tentarmos encontrar a origem para entender o que aconteceu no início do evento para evitar uma repetição e novas pandemias nos próximos anos com outros vírus diferentes”, explicou.

Embarek justificou que, para os investigadores, é fundamental poder observar o vírus original “antes de se adaptar aos seres humanos”, a sua observação através de um microscópio pode ajudar a desvendar segredos genéticos ou de que forma este se adaptou aos seres humanos, como evoluiu e quais são as mudanças na composição do vírus que provavelmente fizeram essa adaptação.

Suscetibilidade de outros animais

O especialista da OMS notou que os gatos eram suscetíveis ao vírus (SARS-COV-2) e também que poderiam transmiti-lo a outros gatos. Embarek reitera ainda que os furões e os cães também foram infetados “até certo ponto”, enquanto porcos e aves parecem apresentar maior resistência à doença.

Transmissão via mosquitos ou parasitas

O especialista afirmou que o novo coronavírus não pode ser transmitido por mosquitos e parasitas.

“Houve discussões sobre a possibilidade de mosquitos e outros animais poderem transmitir o vírus, e esse não é o caso. Estes vírus têm afinidades muito específicas com determinadas espécies animais e com habilidade limitada de infetarem células específicas de diferentes espécies. Eles não podem invadir e infetar espécies animais específicas, de modo que não é possível que eles invadam tudo o que tocam ou se movem”, elucidou.