Investigação

Cientistas utilizam tecnologia CRISPR para escolher género de bezerro

Os cientistas da Universidade da Califórnia, Davis, nos EUA, recorreram à tecnologia CRISPR para introduzir um gene que vai determinar que um bezerro tenha uma descendência predominantemente masculina. De acordo com o artigo Meet Cosmo, a bull calf designed to produce more male offspring: Scientists use CRISPR technology to insert sex-determining gene, publicado na ScienceDaily, a pesquisa foi apresentada ontem, dia 23 de julho, num póster durante a reunião da Sociedade Americana de Zootecnia.

Cosmo é o nome do bezerro que foi editado geneticamente pelos cientistas ainda enquanto embrião, de modo a produzir mais descendência masculina.

O processo foi realizado recorrendo à tecnologia de edição de genoma CRISPR, que permite aos investigadores fazer ‘cortes’ direcionados no genoma ou inserir determinados genes úteis, o chamado “knock-in” de genes.

Neste caso, os cientistas inseriram o gene SRY do gado, que é responsável por iniciar o desenvolvimento masculino, num embrião bovino.

Cosmo é o resultado de uma primeira demonstração de um gene alvo de knock-in através da edição de genoma embrionário em bovinos.

O gene SRY foi inserido no cromossoma bovino 17, que é um local genómico seguro. Por isso, assegura o funcionamento previsível dos elementos genéticos e não perturba a expressão ou a regulação dos genes adjacentes. O cromossoma 17 foi escolhido depois de tentativas falhadas de introduzir o gene no cromossoma X, o que teria resultado num touro capaz de produzir apenas descendência masculina. Em relação a Cosmo, é expectável que produza 75% da descendência masculina – 50% de animais XY normais e outros 25% de XX animais que herdam o gene SRY.

Segundo os cientistas, o desenvolvimento do método de inserir um gene no embrião levou cerca de dois anos e meio e foram necessários mais dois anos para estabelecer com sucesso uma gravidez.

Cosmo nasceu em abril de 2020 e atingirá a maturidade sexual dentro de um ano. Será reproduzido para estudar se a herança do gene SRY no cromossoma 17 é suficiente para desencadear o caminho de desenvolvimento masculino em embriões XX, e resultar em descendentes que crescerão e se parecerão com machos.

“Prevemos que a descendência do Cosmo que herda este gene SRY irá crescer e assemelhar-se a machos, independentemente de herdarem um cromossoma Y”, antecipou Alison Van Eenennaam, geneticista animal do Departamento de Ciência Animal da Universidade da Califórnia, citada pela publicação Science Daily.

Segundo a geneticista, parte da motivação para produzir mais gado macho é o facto de serem 15% mais eficientes do que as fêmeas na conversão da alimentação em ganho de peso. Além disso, tendem a ser processados com um peso mais pesado.

Este facto é apontado com uma possível vantagem para o ambiente, por considerarem que seria necessário menos gado para produzir a mesma quantidade de carne de vaca.

Uma vez que a Food and Drug Administration (FDA) regula a alteração genética dos animais como se estes se tratassem de medicamentos, Cosmo e a sua descendência não serão utilizados no fornecimento de alimentos.