Médicos Veterinários

Suicídio três vezes mais prevalente entre veterinários do que qualquer outra classe profissional

Suicídio três vezes mais prevalente entre veterinários do que qualquer outra classe profissional

Três décadas de investigação do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) revelam que a taxa de suicídio é 3,5 vezes mais alta entre médicos veterinários do que entre o resto da população em geral. A revelação é feita por um estudo recentemente publicado na revista científica Journal of the American Veterinary Medical Association (JAVMA) e que contou com uma amostra de 11 620 profissionais.

O estudo analisou os registos de morte de 11 620 médicos veterinários entre os anos de 1979 e 2015 e mostra que, durante este período, 400 médicos veterinários morreram por suicídio. À semelhança do que acontece com outras faixas populacionais, são os homens que lideram o número de suicídios (326 vs 72).

Para além disso, a investigação mostra que entre 2000 e 2015, cerca de 10% das mortes de médicas veterinárias foram atribuídas a suicídio, uma taxa que, de acordo com os autores do estudo, faz com que as mulheres veterinárias tenham mais probabilidades de falecer de suicídio do que os seus pares, já que os suicídios entre mulheres são mais raros do que entre homens, na generalidade.

Assim, os investigadores concluem que os veterinários, do género masculino, têm 2,1 vezes maior probabilidade de morrer por suicídio do que a população em geral, enquanto no caso das mulheres na profissão esta taxa sobe para 3,5.

Os autores do estudo alertam que a ansiedade e a depressão são, há muitos anos, considerados comuns entre os profissionais de medicina veterinária, à semelhança do que acontece com outras profissões na área da saúde.

De acordo com os autores, por detrás da tendência estão “as longas horas de trabalho, o excesso de trabalho, as responsabilidades de gestão das clínicas, as expetativas dos clientes e as reclamações, os procedimentos de eutanásia e um mau balanço entre a vida pessoal e profissional”.