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Estudo GfKTrack.2Pets

Portugal tem 6,7 milhões de animais de estimação

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O lugar do animal é no jardim, no quintal ou em casa? São cada vez mais as famílias portuguesas que respondem a segunda opção e acordo com o estudo GfKTrack.2Pets existem já seis milhões e meio de animais de estimação em Portugal. Somos um país pet friendly e os donos começam a revelar uma maior preocupação com o estado de saúde dos seus animais. O que isso se traduz em visitas ao médico veterinário?

O estudo da GfK Track.2Pets, apresentado em 2015, veio concluir que os animais estão a tomar conta dos lares portugueses e tal comportamento tem sido muito impulsionado pelos novos estilos de vida. Baseado numa amostra de 1250 entrevistas presenciais, o objetivo do estudo foi o de estimar a penetração e população de animais de estimação em Portugal. O estudo não se refere a animais de companhia cujo seu lugar é no jardim ou no quintal. A realidade atual é outra. Os animais começam a ganhar o seu espaço dentro das habitações, sendo muitas vezes “o centro das atenções por parte das famílias, que já os consideram como membro das mesmas”.

“Os animais estão cada vez mais a serem tratados como membros da família e muitas vezes até como pessoas”

Em 10% dos lares portugueses coabitam cães e gatos e estima-se que “cerca de dois milhões de lares portugueses (54%) possuem pelo menos um animal de estimação”. O número cresceu comparativamente a 2011, em que a penetração de animais nos lares se situava nos 45%. O ano de 2013 já tinha registado um aumento de 5% em comparação com os dois anos anteriores.

Pode ler-se no estudo que “este fenómeno é transversal a vários países” e Portugal ocupa o 12º lugar do ranking de países com mais animais de estimação. Os EUA situam-se no topo dos países pet-friendly e, ao nível da Europa, Rússia, França, Itália, Alemanha e Inglaterra estão à frente de Portugal no que a esta tendência diz respeito. As razões que o justificam prendem-se com a alteração dos núcleos familiares e a constatação de que os animais de companhia contribuem para o bem-estar físico e psicológico dos donos.

Cães

– Caniche

– Retriever do Labrador

– Pincher

– Pastor Alemão

– Podengo Português

 Gatos

– Siamês

– Europeu Comum

– Persa

– Azul Inglês de pelo curto

– Azul da Rússia

Cão ou gato?

Ainda que as preferências dos proprietários também tenham vindo a alterar-se ao longo dos tempos, o presente estudo demonstra que os cães continuam a ter a preferência dos portugueses. Num total de cerca de 6,7 milhões de animais de estimação no nosso país, 38% são cães, seguindo-se os gatos (20%), os pássaros (9%), os peixes e outros (4%). Uma outra realidade que marca os tempos atuais prende-se com o facto de já existirem mais cães e gatos do que crianças nas famílias portuguesas. “Os animais estão cada vez mais a serem tratados como membros da família e muitas vezes até como pessoas. As pessoas cada vez mais atribuem aos animais sentimentos e características dos seres humanos e muitas vezes são tratados como filhos”, defende o estudo. Esta tendência de humanização é identificada no nosso país, sendo que na hora de optar por um animal de estimação, os portugueses escolhem maioritariamente entre cães e gatos. Observa-se ainda uma tendência para optar por cães cada vez mais pequenos, tendência verificada também noutros países, como o Brasil, ao contrário da Arábia Saudita, onde as preferências recaem sobre cães de maior dimensão.

Visitas ao veterinário mais recorrentes

Apesar de a maioria dos cães serem oferecidos (56%), são também muitos os portugueses a adotarem estes animais com um crescimento de 15% comparativamente ao estudo efetuado em 2011. Assinale-se ainda que “48% dos cães são de raça”. Ao nível das preocupações que os cães suscitam nos seus donos, as questões de saúde e de alimentação lideram. A higiene e o conforto também são áreas que interessam aos donos, sendo que este estudo observa uma crescente preocupação relativamente ao exercício físico dos seus animais.

No que respeita à alimentação observa-se a menor tendência em dar restos de comida aos cães, face a 2011, em menos de 32% dos lares. Uma das conclusões mais interessantes deste estudo relaciona-se com o aumento de preocupação em levar o animal ao veterinário. 90% dos inquiridos afirmam levar o seu cão ao veterinário, o que representa um aumento de 11% face a 2011, sendo que destes, 20% levam-no de três em três meses, 30% de seis em seis e 45% levam-no, em média, uma vez por ano. Os motivos de recorrência às consultas prendem-se com a vacinação em 91% dos casos, para fazer a desparasitação interna em 43%, ou externa em 33% dos lares, por uma questão de rotina (em 28%) restando 22% das visitas quando o animal se encontra doente.

Com os cães…

– 90% dos portugueses levam o seu cão ao veterinário, o que representa um aumento de 11% em relação a 2011

– 20% levam-no de três em três meses

– 31% levam o seu cão ao veterinário de seis em seis

– 45% visitam o médico, em média, uma vez por ano

E com os gatos…

– 70% levam o seu gato ao veterinário

– 8% levam-no de três em três meses

– 27% visitam o veterinário de seis em seis meses

– 59% vão com o seu gato ao veterinária, em média, uma vez por ano

E ainda que a saúde dos cães seja o fator que mais preocupa os donos, na verdade é com a alimentação que os gastos são maiores, representando 60% do total de gastos, nomeadamente em comida manufaturada. Os cuidados de saúde representam 25% dos gastos com o cão no orçamento familiar, seguindo-se os cuidados de bem-estar (em 11% do total das despesas) e os brinquedos e acessórios que representam 4% do total.

No que respeita aos gatos, muitas vezes pouco compreendidos e até menorizados relativamente aos cães, existem raças com mais procura, como é o caso dos siameses que totalizam 44% das escolhas dos donos portugueses. 28% dos gatos são de raça e 58% são oferecidos, sendo que a adoção também tem vindo a aumentar (25% versus 3% em 2011) observando-se ainda um crescimento dos gatos a viver dentro de casa, em comparação com os que vivem fora do lar. Os cuidados de saúde e a alimentação estão no topo das preocupações dos proprietários dos gatos, tal como sucede com os cães. No que respeita às visitas aos médicos veterinários, 70% levam o seu gato ao veterinário, o que representa um aumento de 25% face a 2011. Deste total 8% levam-no de três em três meses, 27% frequentam as consultas de seis em seis meses e 59% levam-no em média uma vez por ano. As razões que levam a que os donos de gatos os levem ao veterinário dividem-se entre a vacinação (72% do total); para fazer a desparasitação interna (37%) ou externa (33%), por rotina ou para ser controlado (25%) ou apenas quando os felinos estão doentes (25%). Os gastos com o gato representam 11% do orçamento familiar. Ainda que nem sempre compreendamos os animais, a verdade é que o seu espaço nos lares portugueses é incontornável.

Artigo publicado na edição de outubro de 2015 da revista VETERINÁRIA ATUAL

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