Investigação

Parques para cães podem ser ‘placas de petri’ para parasitas

Oitenta e cinco por cento dos parques para cães em 30 grandes áreas metropolitanas dos Estados Unidos da América têm como utilizador frequente pelo menos um cão com parasitas.

Os dados foram divulgados num novo estudo, intitulado Detection of Gastrointestinal Parasitism at Recreational Canine Sites in the United States ( abreviado como “the DoGPaRCS study”), que foi publicado na última edição da publicação Parasites & Vectors. As conclusões reforçam a importância da profilaxia anti-parasitária nos animais de companhia, especialmente cães, pela sua maior mobilidade na companhia dos detentores.

O estudo foi conduzido pela Universidade Estatal de Oklahoma (OSU), nos EUA, em cooperação com a Elanco Animal Health e os Laboratórios IDEXX. Os investigadores identificaram pelo menos um cão com resultado positivo no teste para parasitas intestinais (lombriga, chicote, Giardia ou ancilóstomo) em 85% dos parques onde foram recolhidas amostras, em 30 grandes áreas metropolitanas.

Das mais de três mil amostras analisadas, uma em cada cinco tinha parasitas. De acordo com a Elanco Animal Health, dos 76 milhões de cães domésticos nos Estados Unidos,  mais de 15 milhões podem estar a espalhar involuntariamente parasitas no ambiente.

“Os médicos veterinários podem ajudar os tutores de cães a compreender como gerir o risco de parasitas, tanto em casa como em público”, diz a diretora do estudo, Susan Little, citada pela publicação Veterinary Practice News.

“No caso de parasitas internos, a prevenção é a chave da proteção, tanto para os animais de estimação como para as pessoas. Isto inclui testes fecais de rotina e a utilização mensal de um parasita de largo espectro, bem como recolher as fezes dos animais de estimação e eliminá-las adequadamente.”

Os dados apurados pelo estudo, segundo a Elanco, vão ao encontro das conclusões de um inquérito de junho a mais de mil proprietários de animais de estimação dos EUA, conduzido pela TRUE Global Intelligence.

Os tutores de cães são 10% mais propensos a trabalhar a partir de casa e 11% mais propensos a levar os seus cães para o trabalho quando em comparação com os níveis pré-pandémicos. Além disso, passaram mais tempo com os seus cães durante a pandemia, com 68% a referir que os seus animais de companhia se tornaram num “companheiro emocional”.

“Os animais de estimação são mais móveis do que nunca, e para onde quer que vão, também vão os vermes”, explica Susan Little.

“Os resultados deste estudo confirmam as nossas suspeitas de que, à medida que os animais de companhia se tornam mais integrados na nossa vida diária e nos espaços públicos, o mesmo acontece com os seus parasitas”, acrescenta.

Embora os parasitas intestinais estivessem presentes a nível nacional, foram descobertas diferenças regionais no estudo. No caso do sul dos EUA, 90% dos parques caninos apresentavam pelo menos um cão positivo presente na altura da recolha, representando estatísticas regionais superiores aos resultados nacionais.

“Hoje em dia, os animais de estimação estão onde quer que as pessoas estejam”, diz Little.

“Desde aeroportos a centros comerciais, restaurantes a parques, não é preciso procurar longe para encontrar cães que vivam ao lado dos seus tutores — e é exatamente assim que queremos que seja. Nós adoramos os nossos cães. Esforços adequados de deteção e prevenção de parasitas guiados por veterinários podem ajudar-nos a continuar a incluir com segurança os animais de estimação nas nossas rotinas diárias”, conclui.