Médicos Veterinários

Ossos de carneiro e cães podem ser usados para reparar…asas

Ossos de carneiro e cães podem ser usados para reparar…asas

Os ossos de cães ou de ovelhas podem ser utilizados para a reparação de ossos partidos em… asas de aves. A conclusão é de um estudo recente, realizado por investigadores da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Shiraz, no Irão, e pretende reduzir o número de cirurgias intrusivas em aves.

Publicada no jornal científico Heliyon, a pesquisa mostra que os parafusos feitos de ossos de animais, como cães e ovelhas, podem ajudar a tratar casos de fraturas em aves. Como? As lesões ocorrem mais frequentemente nas asas, colocando em causa a sobrevivência dos animais. Para resolver o problema, os veterinários recorrem normalmente à implantação de parafusos de metal. Mas, apesar de ser um tratamento eficaz, a solução não é ideal, uma vez que a utilização de um material tão pesado pode prejudicar o equilíbrio das aves. Além disso, o tratamento é também invasivo, já que depois da recuperação do osso a ave é submetida a outra cirurgia para remover o parafuso.

Usar ossos de outros animais facilita o processo: de acordo com o estudo, as aves que receberam “parafusos de ossos” apresentaram uma recuperação mais rápida do que as que tinham sido submetidas à cirurgia com parafusos metálicos.

Os ossos foram tratados para minimizar o risco de rejeição ou infeção – os investigadores recorreram a peróxido de hidrogénio para remover a gordura dos ossos e óxido de etileno para esterilizá-los.

Depois de realizarem testes e acompanharem os animais durante 32 semanas, os cientistas concluíram que os parafusos de ossos se integravam com os restantes ossos e que as asas estavam em fase de recuperação.

Na 10.ª semana, 85% das aves que receberam o parafuso ósseo já podiam voar normalmente. No caso dos parafusos metálicos, 90% tinham um voo incontrolável e 10% não podiam voar.

Ao fim de 32 semanas, todas as aves do grupo dos ossos tinham recuperado o voo completo, porém, nenhum dos pássaros do grupo de parafusos metálicos conseguia voar normalmente.

O autor principal do estudo, Seifollah Dehghani Nazhvani, citado pelo site Medical News Today, explica: “Não houve rejeição de nenhum dos ossos implantados. Em geral, o osso do carneiro parecia ter melhor desempenho.” No estudo, os autores explicam que o “grupo de parafusos feitos a partir de ósseos ovinos, com os melhores resultados radiográficos ao longo do tempo de estudo, começou a cicatrizar significativamente na segunda semana e continuou esse status ideal [até] à 20.ª semana; tal mostrou que os parafusos de ósseos de ovinos poderiam induzir uma mais rápida e melhor cicatrização óssea do que os outros implantes estudados”.

No geral, todos os implantes – ósseos ou metálicos – revelaram um bom desempenho. Mas, como explicam os autores, o mais importante “é o peso dos pinos metálicos, que cria um estado de desequilíbrio na posição de voo ou não voo”.