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Órgãos sociais da OMV empossados para segundo mandato

Eram muitas as caras conhecidas e os representantes de instituições públicas na tomada de posse dos órgãos sociais da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) para o quadriénio 2020-23, que decorreu hoje à tarde em Lisboa. Tal como em 2016, o local escolhido para a cerimónia foi a Sala Fernando Pessoa, no Centro Cultural de Belém, numa espécie de reforço de continuidade de Jorge Cid, agora no seu segundo mandato à frente da OMV.

Numa sala composta, a tomada de posse contou com a presença do presidente da Comissão Parlamentar da Agricultura e Mar, o deputado Pedro do Carmo, em representação do presidente da Assembleia da República; do secretário de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Nuno Russo; e de representantes do INIAV, da PSP, de outras Ordens de profissionais da saúde e das instituições de ensino superior de medicina veterinária, entre outros.

Passava meia hora da hora prevista (16h30), quando a cerimónia arrancou com as assinaturas dos membros eleitos e agora empossados da OMV, às quais se seguiu o discurso de Alfredo Jorge Silva, presidente da Mesa da Assembleia Geral da Ordem que terminou hoje o seu mandato. Silva, que recebeu um agradecimento especial pelos seus serviços da parte do bastonário da OMV, começou por felicitar os colegas empossados e todos os que foram eleitos, bem como a agradecer a todos “os que hoje cessam funções pelo seu contributo”.

Elogiou a medicina veterinária – uma profissão que caracterizou como “extraordinária” – e apelou à salvaguarda das boas práticas, afirmando que compete à Ordem esse desígnio “porque além das competências técnicas, [o exercício da profissão] arrasta consigo um conjunto de problemáticas que tem que ver com deontologia e ética profissional”.

“Tudo faremos para estar à altura desta prova de confiança”, disse Jorge Cid

“Sermos rigorosos nunca poderá significar ter condutas judicialistas […], não haverá ‘arcanjos vingadores’”, disse, acrescentando que a OMV “não pode ainda esquecer o relacionamento com poderes políticos e a administração pública”.

Numa intervenção concisa, Pedro do Carmo destacou a sintonia dos veterinários com a realidade rural nos “tempos voláteis, superficiais e acelerados” que vivemos. Sublinhou que Portugal precisa do “conhecimento seguro” dos médicos veterinários e agradeceu o seu contributo pela “tranquilidade” que dão às comunidades.

No seu segundo discurso de tomada de posse – que será também o último, já que os regulamentos permitem apenas dois mandatos -, Jorge Cid começou por agradecer a todos os que o elegeram, dizendo que “a classe decidiu reforçar a confiança no executivo”.

“Tudo faremos para estar à altura desta prova de confiança”, disse Jorge Cid, acrescentando que um dos objetivos para os próximos quatro anos de mandato é “a participação mais ativa dos médicos veterinários na sua Ordem” em resposta à elevada abstenção que se registou mais uma vez nestas eleições.

Sublinhando a maior experiência – sua e da sua equipa -, o bastonário disse que um dos maiores desafios que a classe tem pela frente é o combate à resistência aos agentes antimicrobianos [1], mas salientou que, para tal, precisa de condições iguais às dos restantes profissionais de saúde, voltando mais uma vez a apelar à descida do IVA de 23% para 6% nos serviços médico-veterinários.

O Ministério da Agricultura “está disponível para entrar nesta discussão e aplicar resultados”, já que “ambiciona alcançar uma agricultura e pecuária ainda mais sustentável, competitiva e inovadora e, para isso conta, com todos e todos  que queiram participar, colaborar e trabalhar nestes novos desafios”, disse Nuno Russo, secretário de Estado da Agricultura

A encerrar a cerimónia, o secretário de Estado da Agricultura, Nuno Russo, referiu a colaboração constante da OMV com outras entidades públicas e assinalou o seu papel de maior destaque na sociedade atual. “Hoje escreve-se mais uma página da história desta Ordem”, disse, acrescentando que os veterinários são essenciais ao bem-estar animal e na promoção da adoção responsável, e elogiando o seu contributo para a criação e implementação do SIAC – Sistema de Informação de Animais de Companhia [2].

Tocando ainda nos desafios trazidos pelas alterações climáticas e escassez de recursos, que, segundo o secretário de Estado, “exigem sustentabilidade”, Nuno Russo procurou também criar pontes entre investigadores académicos e agentes no campo, afirmando que o Ministério da Agricultura “está disponível para entrar nesta discussão e aplicar resultados”, já que “ambiciona alcançar uma agricultura e pecuária ainda mais sustentável, competitiva e inovadora e, para isso conta, com todos e todas que queiram participar, colaborar e trabalhar nestes novos desafios”.