Investigação

Mais de 70% dos cães apresentam ansiedade, revela estudo

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A pesquisa diferencia ainda os medos mais prevalentes por raça. Por exemplo, cerca de 10,6% dos schnauzers mostraram agressividade para com estranhos, enquanto apenas 0,4% dos labrador retrievers apresentavam esta característica.

Se é verdade que muitos detentores de cães reportam aos médicos veterinários comportamentos ansiosos da parte dos seus animais, de acordo com um estudo que avaliou o comportamento de raças de cães comuns na Finlândia, a percentagem de canídeos que apresentam ansiedade é efetivamente elevada, com mais de 70% dos cães a revelarem comportamentos ansiosos.

Tal como os humanos, os cães podem enfrentar problemas como o stresse e a ansiedade, mas o que a pesquisa da Universidade de Helsínquia veio revelar é que os cães são particularmente propensos a muitas características semelhantes à ansiedade.

Milla Salonen, autora principal do estudo, e os seus colegas, analisaram os comportamentos de 13 715 cães de estimação finlandeses, de 264 raças.

Foi pedido aos donos dos cães que preenchessem questionários sobre os comportamentos relacionados com a ansiedade, como sensibilidade ao ruído, medo geral, medo de superfícies, impulsividade ou falta de atenção, comportamentos compulsivos, agressão, e comportamentos relacionados à ansiedade de separação.

Os resultados revelaram que um número significativo de cães revela alguma forma de ansiedade. De acordo com seus donos, 72,5% dos cães expressaram comportamentos semelhantes à ansiedade.

Verificou-se também que 32% tinham sensibilidade ao ruído e, entre os cães sensíveis ao ruído, o medo mais comum era o de sons associados ao fogo de artifício, com uma “prevalência de 26%”, refere o estudo.

O medo geral afetou 29% dos cães analisados, sendo que “17% dos cães mostraram medo de outros cães, 15% medo de estranhos e 11% medo de situações novas”.

Os comportamentos ansiosos menos comuns foram os relacionados com a separação, que afetaram 5% dos cães, e a agressão, que foi relatada em apenas 14% dos cães.

Os comportamentos parecem ficar mais pronunciados à medida que os cães envelhecem, como a sensibilidade ao ruído, especialmente o medo de trovões, o medo de alturas e ansiedade quando andam sobre certos tipos de superfícies, como é o caso de grades metálicas.

Os cães mais novos, por sua vez, parecem ter comportamentos problemáticos mais relacionados com a ansiedade de separação, tais como urinar no chão ou estragar móveis, além de parecerem mais impulsivos.

Quanto a diferenças entre cães e cadelas, os machos são propensos a demonstrar agressividade e sinais de impulsividade, enquanto as fêmeas têm maior tendência a mostrar medo.

A genética pode influenciar
As raças como lagotto romagnolos, wheaten terriers e cães de raça indeterminada pareciam apresentar maior sensibilidade ao ruído, enquanto os schnauzers miniatura e os Staffordshire bull terriers eram menos sensíveis a ruídos.

Os cães d’água espanhóis e Shetland sheepdogs, bem como os cães de raça indeterminada, tinham mais probabilidade de apresentar medo. O medo das superfícies e das alturas eram mais visíveis em cães de raça collie e de raça mista.

O tamanho também teve influência na presença dos comportamentos ansiosos. Cerca de 10,6% dos schnauzers mostraram agressividade para com estranhos, enquanto que apenas 0,4% dos labrador retrievers apresentavam esta caraterística.

Os pesquisadores supõem que a genética pode estar relacionada com a sua predisposição a diferentes tipos de ansiedade.

“O comportamento tem um componente genético importante”, refere o estudo, acrescentando que “algumas áreas genómicas e loci estão associadas a comportamentos problemáticos, incluindo compulsão, medo e sensibilidade ao ruído”.