Macacos-capuchinhos possuem capacidade cognitiva para a representação simbólica

Um grupo de investigadores dos EUA e de Itália ensinaram macacos-capuchinhos a entender e manejar peças dotadas de valor simbólico, trocando-as por alimentos, segundo noticiou o “Diário de Notícias”.

O estudo, publicado no mais recente número da “PLoS One”, sob o título “Preferecence Transitivity and Symbolic Representation in Capuchin Monkeys (Cebus appela) – Representação Simbólica e a Transitividade de Preferência nos Macacos-capuchinhos”, consistiu em oferecer aos capuchinhos três variedades de alimentos – A, B ou C – em quantidades distintas, e desenrolou-se em dois planos: o primeiro, considerado real, e o segundo, simbólico.
No primeiro plano, os macacos-capuchinhos podiam optar entre os alimentos A, B e C; no plano simbólico, foi-lhes oferecido objectos sem real valor intrínseco, fichas de jogo, que representavam a alimentação real. Após escolherem um determinado tipo de ficha, os capuchinhos podiam trocá-la pelo alimento correspondente.
O objectivo desta experiência era verificar se os capuchinhos actuavam, em ambos os planos, de acordo com o princípio da transitividade, uma regra elementar das escolhas económicas. A transitividade postula que se A é preferido a B e B a C, então A é preferido a C. Assim, se preferimos bananas a tangerinas e tangerinas a morangos, também preferimos bananas a morangos.
No final, as opções dos capuchinhos cumpriram duplamente os requisitos da transitividade, ou seja, no plano real e no plano simbólico. Os macacos envolvidos na experiência preferiram, sistematicamente, A a B e B a C. Por último, A a C, quer quando se tratou de alimentos reais quer quando se tratou das fichas.
Desta forma, aquela espécie foi capaz de operar escolhas qualitativas em ambos os contextos, o que significa que os capuchinhos possuem a capacidade cognitiva para a representação simbólica.
Na fase em que escolhiam alimentos reais, resultou indiferente um pedaço de queijo ou duas bolachas, indicando que o valor de um pedaço de queijo equivalia a duas bolachas.
Contudo, no plano qualitativo, quando tinham de optar entre peças que representavam aqueles alimentos, resultou indiferente a escolha entre uma peça representativa de um pedaço de queijo ou quatro peças a representar as bolachas, significando que as bolachas valem mais.